A Bola e o Tempo.

A bola é objeto de desejo de todo jogador de excelência, e até aqueles que nem sabem o que fazer com ela gostam de tê-la em sua posse. Ter a bola é responsabilidade, mas passar bem a bola é altruísmo, se preocupar que o companheiro melhor colocado pode dar melhor seguimento ao rumo da jogada, e assim fazer a bola se aproximar da meta adversária. Falando assim tudo indica que os melhores passes são os verticais em sentido ao ataque, mas nem sempre é assim. Fazer a leitura do que está para acontecer nos próximos 15 segundos em campo pode ser uma virtude imensa. Os melhores contra-ataques se iniciam nos passes errados de melhor intenção, o atleta tinha duas opções de passe: 1) passe que poderia deixar o companheiro frente a frente ao goleiro adversário(GRAU DIFÍCIL). 2) passe que voltaria o jogo e daria nova oportunidade de se iniciar um ataque(GRAU FÁCIL). Sem analisar as circunstancias levo a crer que todos optariam pelo passe de número 1, é o que leva mais perigo e que eleva as chances de gol. Quem efetua o passe pensa no êxito sem pensar nos problemas que um erro pode ocasionar.

A definição da palavra RITMO diz: “Sucessão de tempos fortes e fracos que se alternam com intervalos regulares.” O tempo que um jogador retém a bola pode determinar muitas coisas, ele pode passar segundos com a bola e fazer o tempo parar como Xavi Hernandez, mas também com os mesmos segundos pode atrasar uma jogada e colocar em risco a posse de bola da sua equipe. Jogadores que jogam e pensam, distinguem melhor quando parar e quando acelerar.

Um recurso útil para movimentar a estrutura defensiva que se opõem as ações ofensivas é ficar pouco tempo com a bola e efetuar uma alta troca de passes em velocidade. Uma tarefa difícil de se manter por muito tempo, o ritmo é alto mas a duração geralmente é pouca. Já em ritmo baixo a duração da posse de bola geralmente é alta, se mantém a bola sob o nosso comando e iniciamos a construção de uma jogada com paciência para em um segundo momento aumentarmos o ritmo e agredir o adversário.

O posicionamento do corpo em relação ao campo e os adversários são importantes também para definir o tempo que se deve ficar com a bola. Se estou de frente para a meta na qual tenho que atacar mas a muitos metros de distância dela, se diz que estou de frente para o jogo e assim tenho uma visão privilegiada em questão de possíveis marcadores por perto. Essa é geralmente a situação que muitos zagueiros enfrentam. De frente para o jogo e com tempo e espaço para atuar. Avançando no terreno chegamos aos jogadores que atuam no meio do campo, esses são os jogadores mais inteligentes(ou deveriam ser), devem se movimentar para criar linhas de passe, devem especular a todo momento, pois os marcadores não irão a todo lado que ele for mas buscarão se manter próximos para atrapalhar e pressionar. Jogando com o cérebro mas sem esquecer da técnica, pois precisa receber e girar rápido ou se movimentar para receber a bola lateralmente. Os zagueiros utilizam os meias como iscas, passam a bola para eles e os marcadores agora se movimentam em direção ao novo portador da bola, que em um passe de primeira devolve a bola para o zagueiro e PRONTO! Os opositores se movimentaram em apenas 2 passes(ida e volta) e novas linhas de passe surgiram para que o zagueiro possa discernir qual a melhor opção.

Tudo isso é mais fácil de escrever do que operacionalizar, porém a busca pela perfeição entre o controle da bola e a excelência da medida do tempo é a missão de todo treinador adepto do jogo de posição. Enquanto eu continuo a estudar pra entender tudo que acontece dentro do campo você pode ver lances do mestre do tempo.