Sobre o A Head Full of Dreams, do Coldplay

A faixa que inicia o álbum e dá nome ao mesmo traz, logo de cara, uma sonoridade muito familiar à apresentada em Mylo Xyloto, indicando que o novo trabalho do Coldplay segue o mesmo caminho colorido e alegre do disco lançado em 2011. Contudo, alguns segundos depois, a música ganha um ritmo de final dos anos 70, e encerra de forma épica, com cara de música para fechar um grande show.

Birds, a segunda faixa do álbum, carrega batidas aceleradas em conjunto com vocais roucos de Chris Martin, criando o melhor contraste do disco.

Em seguida temos Hymn for the Weekend, parceria com Beyoncé. Poderia ser bem melhor? Sem dúvida. A rainha do pop (desculpa Madonna) é sacada apenas para back vocals, fazendo a música com mais potencial do álbum soar decepcionante. De qualquer forma, irá tocar muito nas rádios.

Everglow é a melhor balada do A Head Full of Dreams. Talvez por ser uma parceria entre o vocalista da banda e sua ex, a faixa é carregada de sentimento. Junto de Birds, são as músicas mais próximas da sonoridade do Mylo Xyloto.

O primeiro single do novo álbum, Adventure of a Lifetime, traz de volta a vibe Disco da primeira faixa e sem dúvidas encaixaria bem no Random Access Memories da dupla Daft Punk. Só faltou o Pharrel.

Fun, parceira com Tove Lo, é a sexta música do disco e o pop mais genérico que podemos encontrar. Nada de novo.

Kaleidoscope é uma faixa de transição rápida, experimental, apresenta um discurso no meio, mas não faz muito sentido num disco que claramente não foi pensado como um todo.

Army of One tem duração de 6 minutos e é composta de duas músicas. A primeira dá a impressão de que o instrumental é basicamente a voz de Chris Martin transformada em batidas diferentes. A segunda (parte realmente interessante) é um R&B/pop/eletrônico completamente diferente de tudo que o Coldplay já produziu.

Amazing Day é a última balada do álbum, bem gostosa de escutar, mas mostra uma certa falta de inspiração.

Colour Spectrum é completamente desnecessária. Segunda e última faixa de transição do disco, com trechos de outras faixas. Tenta passar a impressão de que as músicas do A Head Full of Dreams foram pensadas em conjunto, coisa que definitivamente não foi.

O forte da última faixa, Up&Up, são os instrumentais. Carregada por mensagens positivas e alegres, é o final perfeito para o álbum mais colorido e feliz do Coldplay. Está longe de ser o melhor trabalho da banda, e não supera Mylo Xyloto, mas mostra que os integrantes têm uma capacidade gigantesca de se renovar e medo nenhum de experimentar novas sonoridades. E isso sempre será algo positivo.