As pessoas que considero interessantes, invariavelmente, são pessoas interessadas. Interessadas por aquilo que existe, por aquilo que há, por aquilo que são ou podem vir a ser. Interessadas, principalmente, por tudo aquilo que desconhecem.
Como é chata a previsibilidade do “não”. Como é chato estar em companhia de alguém que sempre nega o novo. Que só conhece aquilo que lhe foi imposto. Eu não gosto. Eu os evito. Aprecio a companhia de pessoas pré-dispostas a se debruçar ao inédito, a respirar novos ambientes, dispostas a ressignificar um antigo conceito. Interessante, pra mim, é alguém que busca novos ângulos de uma mesma idéia. Porque sabe que as idéias são esféricas.
Assim como o fogo precisa de oxigênio, sem ventilação nossa áurea some. Aumentemos nossa superfície de contato com o mundo. Circulemos por novas pessoas, novas amizades, novos lugares, novas músicas, novas cores.
Se a novidade é um passo ao desconhecido, ele também é um colorido de possibilidades.
Às vezes, a alegria de algumas pessoas me deprime. Aquela alegria de quem só escuta música antiga, de quem só assiste o mesmo canal de TV, de quem compra o mesmo tipo de roupa, de quem tem medo de jogar coisas velhas no lixo. A repetição dos costumes gera câncer de espírito.
Até que me provem o contrário, interesso-me por todos. Sem exceção. Todos estão dentro de mim. E há um pouco de mim em todos. Interesso-me, sobretudo, por tudo aquilo que pode vir a corromper-me. Qualquer ser humano, minimamente interessante, deveria saber que aquilo que à primeira vista não o interessa deveria ser — imediatamente — a primeira coisa que lhe gera curiosidade.
Autor Filipe Ret
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