Faz aproximadamente 39 dias, duas horas e vinte e seis minutos que eu não escrevo sobre você.

Isso poderia ser algum texto amargo sobre como eu estou lentamente superando o ser que você é – mas aqui vai a surpresa: não é. Faz aproximadamente 39 dias, duas horas e vinte e seis minutos que eu não escrevo sobre você, e embora eu tenha pensado sobre os seus olhos castanhos hoje, mais especificamente à uma da tarde, as coisas parecem um tanto quanto diferentes agora. Você passa pela minha mente o tempo todo (não minto), e eu creio que talvez passe pela sua vez ou outra, mas certa vez disse para mim mesma – e espero que possa dizer isso a você, um dia – que quando um escritor se apaixona por alguém, a Morte afasta dela seus dedos gélidos para a toda eternidade.

Sempre gostei de palavras bonitas, mas aqui vai, de uma maneira mais simples: eu te prendi pra sempre nas linhas dos meus cadernos, e o que me conforta e assusta ao mesmo tempo é que mesmo que você vá embora, uma parte sempre vai estar aqui.

Faz aproximadamente 39 dias, duas horas e vinte e seis minutos que eu não escrevo sobre você, e eu encaro meus dedos batendo no teclado com um encanto que me surpreende. Escrever não é estranho pra mim. Flui da minha mente como água em um córrego. Mas escrever sobre você é outra história. Escrever sobre você não é a calmaria, debaixo do Sol às duas da tarde. Não é tomar chá quente enquanto se assiste televisão. Escrever sobre você é atravessar uma avenida movimentada inteira em São Paulo antes do sinal fechar. Escrever sobre você é uma tempestade, uma revolução. É a coisa mais egoísta que eu poderia fazer. É a coisa mais bela que eu poderia fazer, também.

Eu espero que isso te encante. Eu espero que isso te aterrorize. E eu espero que você lembre que a sensação de eternizar você em um pedaço de papel sempre faz uma revolução brotar dentro de mim.

(E, agora, eu me pergunto quanto tempo vai levar até escrever sobre você mais uma vez)

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