Quando uma mera, pura e simples situação se torna algo tão marcante.

Isso foi em 2011, faltando bem poucas semanas para meu aniversário. Eu estava indo ao clube em que meu pai mora (minha mãe e eu moramos em um clube e meu pai, minha madrasta e minha irmã mais nova moram em outro), quando vieram uns garotos me ofender.

Na época, essas ofensas eram algo tão frequente e recorrente que chegavam a atrapalhar meu sono. Eu não deveria ligar para esse tipo de coisa, mas, enfim, os caras me perseguiam por todos os principais bairros daqui da capital estadual (muitas vezes, de carro, bicicleta e moto), eu então não me controlava e corria atrás deles todos para ver se espancava cada um deles.

E foi nessa ida ao clube de meu pai que eu, com excesso de peso, saí correndo atrás dos imbecis e escorreguei. O resultado disso tudo: meu braço esquerdo doeu bastante, foi operado, os ossos dele foram substituídos por um pino metálico, fiquei com ele engessado por um tempo considerável e vizinhos meus e amigos destes ainda riram de mim.

Depois disso, passei a evitar ir ao clube de meu pai sem estar acompanhado dele ou de um amigo meu que mora por lá, se bem que já não tenho ido mais nem ao meu, imaginem então se irei querer frequentar o dele agora. Não vou mais porque não encontro quem jogue comigo, por isso e por estar com problemas de déficit de atenção, tontura e saúde masculina, e, igualmente, não encontro alguém para me supervisionar.

Tem gente que não entende que, quando falo que não posso esquecer o que os maníacos me fizeram, não é por ruindade (até porque, nem sou ruim): eu já os perdoei há muitos anos (por mais que a operação tenha sido muito mais cara do que teria sido minha festa de aniversário, bem como por meu braço esquerdo haver sido arruinado), mas não posso me esquecer porque o braço cansa e dói muito mais facilmente e rapidamente quando é articulado do que antes, mais ainda se for para praticar exercícios físicos e esportes.

A propósito: há muito tempo que não andam mais mexendo comigo nem pessoalmente, nem por telefone (já me fizeram trotes demais): o caso é que, atualmente, o bullying (intimidação ou valentia em inglês) tem sido virtualmente, até andam me chamando de mentiroso, arrogante e egoísta, observem bem que situação.

Esse pessoal todo vem me comprometer e denegrir sem me conhecer, afirmar que minha produção artística e eu mesmo não prestamos, que devo desistir de vez de querer ser artista, que ninguém deve gostar do que faço e ainda vêm alegar que não aceito que alguém tenha opinião contrária. Quero muito e mesmo saber quem aqui é que não aceita opinião contrária. Um grande e ótimo amigo meu, que representa uma editora de quadrinhos e livros também está de acordo que ideia e opinião são algo bem diferente de agressão e ataque. Ainda bem que ele concorda, pois isso é uma coisa comprovável e incontestável por métodos científicos.

Se quiserem dizer que não gostam do que faço, não trapaceiem, não agridam e ataquem e não banquem os durões e santinhos: eu próprio, por exemplo, não comprometo e denigro os artistas e esportistas que conheço só porque não gosto do que fazem, reconhecendo, dessa forma, que podem ser grandes e ótimos amigos, cidadãos e seres humanos, não sendo, portanto, limitados a artistas. E eu também posso atestar que é verdade que sou artista multimídia e fluente em inglês e espanhol: quem garantir que não, que me apresente e exponha as comprovações e evidências.

Falando nisso, preciso dar uma atualizada em meu currículo e histórico o quanto antes, penso em fazê-lo nesta semana, verei se dá para fazê-lo entre hoje e amanhã na realidade. Se bobear, posso até dar um jeito nisso logo após o jantar, que, por sinal, será daqui a pouco. Quanto ao mais, procuro ser eu mesmo, com todas as minhas complexidades e essências, que é o que mais vale realmente.

Assinado: Sávio Christi, desenhista, escritor, pintor, roteirista, compositor e poeta (geralmente) e montador, escultor e fotógrafo (ocasionalmente), fluente em inglês e espanhol, nascido em Brasília e radicado em Vitória, Espírito Santo, Brasil.