Eva e a identidade das mulheres

Jan Brueghel de Oude en Peter Paul Rubens — Het aards paradijs met de zondeval van Adam en Eva

Os cristão modernos nunca irão reverenciar as figuras de Mãe e Filha como as figuras de Pai e Filho, como os antigos cristãos costumavam fazer. Embora os cristãos ainda adorem a Deusa sob os títulos de Mãe de Jesus, Nossa Senhora Rainha, Virgem Maria etc, os teólogos recusam admitir que ela é a antiga Deusa sob um novo disfarce, e, paradoxalmente, insistem em sua não-divindade. 
O antigo conceito da Santíssima Trindade em que a fêmea domina todos os ciclos da criação, nascimento e morte em suas formas de Virgem, Mãe e Crone foi destruído pelos ataques cristãos nos templos, escrituras, rituais e seguidores da mesma. A Igreja declarou que a Great Goddess ‘cuja a Ásia e o resto do mundo adoraram’ deveria ser desprezada, ‘e sua magnificência destruída’ (atos 19:27). Esse é praticamente o único evangelho que as igrejas seguiram por séculos sem nenhum desvio ou contradição. Parecia muito necessário esconder o fato de que o próprio cristianismo foi um desdobramento da deusa do Oriente Médio, distorcida pela ascese da Pérsia e Índia.
Como um culto a salvação, o cristianismo primitivo baseou seu esquema de redenção na premissa da maldade feminina. A salvação era necessária porque ouve A Queda (ou Queda do Homem), provocada pelo arquétipo da mulher. 
Sem o mito de Eva, não haveria pecado, portanto, não haveria necessidade de um salvador. Os padres das igrejas declararam que o pecado original foi perpetuado ao longo de todas as gerações por cada mulher, por meio da concepção sexual e o nascimento: o mistério das mulheres, o magnetismo sexual que seduzia os homens para a ‘concupiscentia’ que, mesmo dentro do casamento legal, transmite uma mancha do pecado para cada homem. Assim disse Santo Agostinho, e a Igreja nunca alterou sua opinião. Ao longo da história, podemos encontrar clérigos que defendem abuso contra mulheres como uma forma de punição pelo crime primordial. Adão, representando todos os homens, era menos culpado que Eva, representando todas as mulheres. O ataque de Deus e dos homens contra as mulheres geralmente não era justificado por vingança por lesões reais. Mas sim, por uma lesão mítica. O objetivo não era evitar que as mulheres machucassem os homens, mas impedir que as mulheres agissem de forma independente dos homens: de possuir sua propriedade, seu dinheiro, sua escolha sexual, ou de criar seus filhos sem interferência. A religião patriarcal declarou guerra a sociedade pagã, onde a maternidade era considerada a única relação parental importante em que as mulheres possuíam sua própria terra e governavam sua cultivação. Pensadores cristãos primitivos perceberam que a destruição da divindade feminina significaria uma queda do orgulho e confiança das mulheres, uma vez que o orgulho dos homens dependia em grande parte de sua visão de um Deus como eles, só que melhor. As mulheres não foram chamadas filhas deste Deus, que deu aos homens as suas almas. No século VI, clérigos até mesmo negavam que as mulheres tinham sequer almas. Proibidas pelos conquistadores cristãos de expressar sua própria fé, as mulheres da Europa acabaram por adotar forçosamente a fé dos homens (às vezes, elas eram atraídas por concessões ilusórias, que eram depois revogadas).

Gênesis 3:16
‘E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.’

A história de Gênesis do cristianismo vem da insegurança masculina. Os homens podiam ver que as mulheres eram sábias, criadoras intuitivas, então eles tinham que criar uma história para virar o script e tornar as mulheres a vilã da história. Na realidade, as mulheres são as criadoras do universo. A criação é uma característica feminina. O cristianismo fez com que as mulheres fossem concebidas de homens, através da criação de Eva da costela de Adão. Como as mulheres são as criadoras do universo, tudo na natureza é parte da divindade feminina, incluindo o fruto “proibido” do conhecimento, a maçã. As mulheres levam a grande sabedoria e poder, e o fruto do conhecimento representa isso. A fruta em si representa o nascimento e criação, por isso tem uma ligação significativa à feminilidade. O cristianismo negou as mulheres essa sabedoria e poder criativo, fazendo o fruto não só proibido, mas usando o consumo de Eva do fruto, o fruto que era dela por direito, como justificativa para a opressão feminina e sofrimento.

Como disse Z. Budapest, “Eva deveria ter comido um alqueire inteiro de maçãs.”

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