Solitário de uma companhia só

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(foto sugerida por A. C. Save )
Existe o samba de uma nota só (eterno salve a Jobim!). Quero lançar agora uma nova (mas velha conhecida) modalidade de solidão: a solidão de uma companhia só. Acredito que esse sentimento já exista. Ele só não foi catalogado (não que eu saiba, pelo menos).
Explico:
Este estado é marcado pela "falta presente" exclusivamente de UMA ÚNICA pessoa (sim, paradoxos e pleonasmos são bem-vindos para explicar sentimentos. Ainda mais os não catalogados).
O solitário de uma companhia só vive na corda bamba (slackline, para os mais modernos), equilibrando os sentimentos de saudade e conformismo. Trançando os pés, este solitário embaralha as sensações, padecendo dessa espécie de saudade-conformada, que se materializa em uma falta que um dia foi presente.
Na verdade, pensando bem, a falta e a presença coexistem: as memórias estão aí para escancarar que elas podem estar mais vivas do que nunca.
Seria a solidão uma das multiformes manifestações da saudade?
