Se quisermos entender os videoclipes e sua linguagem, sua importância e posição dentro do ecossistema da produção audiovisual, temos de entrar em acordo que desde os seus primórdios nos curtas musicais dos anos 40/50 até os vídeos direto pro youtube de hoje, passando pelos promos dos Beatles e pelo ápice da forma e exposição com o Thriller de Michael Jackson, do pré ao pós-MTV, os clipes são embrionados e executados com a função de embrulhar e promover uma musica, um disco, um artista. …


Quando das primeiras audições de “Magic Whip”, último (excelente) disco do Blur, a escolha de “Lonesome Street” como favorita era fácil: é a música que te pega pela mão e leva pra passear pelo disco, é a música que tem elementos reconhecíveis pela trajetória da banda (os riffs, os ecos de Syd Barrett e Bowie, os anos 60 reprocessados pelos 90, o cinismo), é o hit, enfim.

O passar do tempo porém vai fazendo outras músicas revelarem suas prendas e, após um período rendido a “My Terracota Heart” (espinha dorsal de um álbum melancólico e provavelmente a melhor canção de…


O glitch no logo da Universal avisando o que vem por aí

Um filme de terror que se passa inteiramente na tela de um computador a principio é uma forca estética aguardando para ser apertada, mas se por mais de uma hora ficamos presos ao suspense é porque o diretor consegue equilibrar o suporte visual e o narrativo: a tela não é apenas onde o filme se desenrola (o dispositivo), a tela É o filme. …


Se este “Jurassic World” de 2015 acerta mais do que as duas sequências anteriores, muito se dá pela sua relação, em como ele observa e dialoga com o original de Spielberg. O parque é visto (e experimentado) pelos frequentadores da mesma forma que o espectador olha para o filme de 1995. Não há mais inocência, não há mais a pureza da descoberta, o publico (o personagem e o que assiste ao filme) já conhece tudo aquilo (“no one is impressed by a dinosaur anymore”, diz a diretora logo ao início, para depois compara-los a elefantes). Restam as histórias, resta o…


Algumas (tardias) considerações sobre Sniper Americano

Sniper Americano começa pelo momento que irá marcar a perda da inocência, o desvirginamento espiritual de seu protagonista, o atirador de elite Chris Kyle: sua primeira missão no front, prestes a pela primeira vez puxar o gatilho e tirar a vida de um ser humano, a finalmente justificar seu árduo treinamento, a sua razão de ser e estar ali, a sua existência enfim.

Ouvimos então um tiro mas, antes da sua consumação e numa brilhante manobra narrativa, entramos numa elipse temporal para o momento em que, ainda criança e acompanhado de seu pai, Kyle…


acho que esses sites (especialmente) como pitchfork, para além do bem de promover muita informação sobre música, criaram nesses ultimos 10 ou 15 anos uma geração que tem uma relação muito analítica e pouco visceral com a música.
devido ao acesso inesgotável, a falta de tempo, a necessidade de se estar inteirado e “cobrir” tudo as pessoas acabam criando um certo distanciamento crítico na hora de experimentar a musica que na minha opinião não é muito saudavel. os pontos a serem observados para se exaltar (ou não) um disco/música/banda acabam sendo muito pragmáticos (ou programáticos?), bem como o tamanho…

Leandro Schonfelder

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