Empatia
Concentrando em cada suspiro. Do teto cria-se imagens. Tornam-se lembranças que tomam conta de todo o ambiente. O coração já bate cadenciado. Perder uma fração parece perder tudo. À margem, imagens que são reais, mas não há como saber.
Uma vontade grande surge à garganta: não desista de mim! Mas suprimo. Não consigo gritar. As pregas vocais foram suprimidas gradativamente a cada vez que corri atrás. Claro, era inútil. Você nunca me ouvia. Cá entre nós, era só ignorado. Era mais fácil.
De volta ao suspiro. Ao lado do teto há uma cortina. Listras. Engraçado como ficavam bem em você. Combinava com a sua voz doce. Me esforçava pra não gostar tanto de você, mas seus olhos eram lindos. O brilho dos olhos, arregalados, mas nunca era o suficiente. Não o brilho, o meu esforço.
Queria eu que esses pensamentos parassem de vagar na minha cabeça. Ou mesmo ter controle deles. Contudo, não tenho. Eles vêm e me pego relembrando discussões que não aconteceram, momentos que deram errado. Foi desgastante achar que estava tudo bem quando não estava. Mas era você. Era todo esse seu charme.
A forma como me desdenhou era gostosa. Ora, eu também desdenhava. Esse jogo foi muito intenso. Mal sabia ele que eu já estava entregue. Mal sabia eu que agora a intenção dele não era ficar. E ele foi.
Não que eu tenha sentido falta, mas ele se fez faltar. Só eu sei o que foi passar os finais de semana me sentindo recusado. Passar uns minutos antes de pegar no sono pensando se ele realmente sentiu algo. Ele falava que sentia… não sei.
Em pensar que há uns meses eu nem pensava executar meus planos de fuga. Contudo, fugi. Tranquei esse passado. Precisei passar por cima antes que tudo me consumisse e eu já estava na reserva de sentimentos.
Hoje trato com indiferença, mas sinto saudade de você na minha cama
