Ilustração: Nudegrafia

Cadeira Office Turim

Tava há duas horas com a cara amarrada e, no momento em que aconteceu, achei bem compreensível. Mas chegava perto da hora do almoço e Vinícius continuava ranzinza pelos braços quebrados da velha cadeira de escritório. Velha mesmo. Acho que lembro dela no dia em que a gente transou pela primeira vez, quando ele ainda morava naquela república imunda em São Domingos e eu ainda achava que era só mais um rolo e teria muitos anos pela frente pra dar pra geral.

Era estranho me dar conta do quanto duramos pensando naquela cadeira quebrada. Aliás, continuávamos durando, mesmo perdendo os braços, as rodinhas e enferrujando as engrenagens que nos permitiram diversas posições antes.

Fui chamá-lo pro almoço e me deparei mais uma vez com aquela cara fechada, mas não tive raiva. Olhei-o largado na cadeira quebrada e me veio um impulso de acolher, de abraçar e beijar seu rosto inteiro. O impulso que o Vinícius de 10 anos atrás me dava. Devo ter deixado isso transparecer, porque ele me indagou, com o olhar, sobre os meus pensamentos. Sem tirar os olhos dele, lentamente tirei o short do pijama que vestia. Ele sabia que eu dormia sem calcinha.

“Por que isso?”, dessa vez me questionou com palavras.

“A gente nunca fodeu nessa cadeira por conta dos braços”, respondi já sentando em cima dele.

Esperava que ele achasse graça ou tentasse resistir, mas a seriedade com que me encarou me pegou de surpresa. Vacilei um pouco, mas, antes que desistisse, Vinícius tirou a blusa do meu pijama e afundou a cara entre os meus peitos. Tentei me posicionar melhor em cima dele para conseguir espaço para abrir sua bermuda e puxar seu pau da cueca. Despontou das roupas ereto e nos encarando, como que dizendo “Pronto, tô aqui. E agora?”. Respondi a pergunta enfiando-o em mim, sem nem uma lambida de preâmbulo, sem cuspir, sem que Vinícius tivesse enfiado um dedo para saber se minha buceta já estava bem lubrificada, burlando todo o nosso passo a passo. Continuou me encarando muito sério, mas tratou logo de apoiar a cadeira na mesa. Comecei a me mover lentamente em cima dele, fazendo com que seu pau entrasse cada vez mais fundo. Sentia todos os deslizes do pau me penetrando com uma intensidade que já me desacostumara.

Tive vontade de gemer, mas, por conta da seriedade do Vini, me concentrei em não expressar nada. Encaixou a mão entre a minha buceta e o seu pau e começou a me masturbar acompanhando o movimento. Em dez anos de relacionamento, aprendeu a me masturbar melhor que eu mesma, exceto naquela posição, quando transávamos sentados, ele sempre pesava a mão. Pesou a mão ali também, mas de propósito. Não reclamei, nem gemi e nós dois sentimos a lubrificação aumentando.

Parou de me masturbar, como que contrariado por não ter me importunado, e se concentrou novamente nos meus peitos. Encaixou um deles na boca e chupou como nunca tinha feito antes. Por alguns instantes, não soube se o que me afetava era a visão de Vinícius, sedento, chupando o meu peito como se ele pudesse apaziguar alguma coisa dentro dele ou se era, de fato, o contato de lábios, língua, dentes e saliva na minha pele. Comecei a gemer e Vinícius, sem parar ou me olhar, passou os dois braços por mim e pousou as mãos nos meus ombros me prendendo nele. Não trocou de lado e eu não acelerei o ritmo com que rebolava no seu pau, na verdade, parecíamos quase imóveis, o meu peito todo dentro da boca dele, o pau dele inteiro em mim. Só sentia o movimento da sua língua e o ventinho que escapava da sua respiração. Passamos um tempo que não consigo recriar na minha cabeça naquela posição, me perdi completamente. Voltei a mim quando senti seu canino espetar meu mamilo e o pau estremecer dentro de mim. Mal senti o líquido quente jorrando, minha perna estremeceu e tudo dentro de mim se contraiu e pulsou. Gemi alto e me contorci inteira em cima de Vinícius, que não conseguia esconder sua surpresa. Nunca tinha gozado com penetração.

Quando acabei, tirei seu pau de dentro de mim e fui embora pelada e pingando porra no piso. No peito, uma gotinha de sangue onde o canino tinha se fincado. Não tocamos no assunto.

“Comprei uma cadeira nova no extra”, anunciou ao fim do almoço.

Pensei, com ironia, em perguntar se tinha braços.

“No site? A Su comprou uma cadeira lá, disse que foi no início do mês, e até agora não entregaram. Ela já reclamou duas vezes. Pelo chat, pelo telefone. Disse pra ela colocar no Reclame Aqui, parece que colocou…”

“Não me importo se demorarem pra entregar”, comentou dando de ombros.

Levantei da mesa e comecei a recolher a louça. Vinícius também levantou com seu prato e, chegando na pia, me abraçou. E você? Se importa se a gente tiver que usar aquela mais um tempinho?, sussurrou.


Gostou do texto? A ideia surgiu depois de 11 dias de atraso na entrega da minha cadeira, que, aliás, segue atrasada. Pelo menos agora não posso mais dizer que estudar na cama ou no chão é menos produtivo, não é mesmo? Se quiser compartilhar, vai ser incrível. (e se puder marcar o Extra.com.br, vai ser melhor ainda!).

O conto também é um agradecimento a todos os seguidores, leitores e divulgadores (muito-muito obrigada por compartilharem os links em suas redes sociais!) por seguirem me acompanhando e dando vida aos meus personagens. Agora nós passamos de 2 mil!!