Espelho Preto

Não sei que ano era exatamente, mas o clima não estava esquisito como está hoje. As pessoas pareciam felizes e ninguém tinha receio de andar na rua. As academias de ginástica eram engraçadas: no lugar dos aparelhos, camas eletrônicas. Irônico, para não dizer bizarro. Bastava deitar por alguns minutos para o seu corpo ganhar a sensação e os benefícios de quem havia malhado e se esforçado muito. Era fácil e rápido ter o resultado estético desejado. Porém, o ponto alto da tecnologia estava no ar.

De tempos em tempos o ar do mundo era recarregado, de modo que ao passar você conseguia enxergar a real beleza das pessoas. Quem era bonito por dentro aparentava ser extremamente lindo para os outros (mesmo sendo feio por fora) e quem era feio por dentro (mesmo sendo lindo por fora), aparentava ser horroroso. E assim era possível andar tranquilo na rua pois você sabia quando mudar de calçada, com quem não fazer amizades e enxergava à distância em quem não confiar — pelo menos até o ar tecnológico passar. Ali o mundo parecia um pouco mais justo e as pessoas pareciam ter aprendido a valorizar mais o conteúdo do que a aparência.

E aí veio a parte triste: ao caminhar para casa, eu encontrava o crush da vida real, provavelmente o cara mais gato que já me convidou para sair nesses 32 anos de existência. Sentiu o drama? Pois é. O ar tecnológico passou na hora e revelou a aparência por dentro, nada convidativa. O cara mais lindo era também o mais horrível. Acordei bolada, óbvio. O universo costuma me proteger de formas misteriosas. Seria um sinal? Vou no date ou não? A dúvida já estava plantada. Anyway, esse post era só para dizer duas coisas: 1. Eu sou muito gata. 2. Ei, Charlie Brooker, me contrata.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Secret Track’s story.