Tatiane
Tatiane
Nov 5 · 2 min read

Sobre a madrugada que fiquei doente
Acordei muito mal e moro sozinha
Para dormir não tenho pudores
Me preocupei ao pedir ajuda, quem será que viria? Fui colocar calcinha!
Mas também me preocupei de trocar a camisola africana
Não chorei deveria ser forte e manter o mínimo que me restava
Esperei alguém ouvir meu socorro
Ao finalmente ter alguém para me levar
Chorei
No hospital nada mais da velha necropolítica
Somente tinha a minha pessoa para atendimento e os médicos resolveram não atender
Fiquei quase 4h aguardando atendimento
As pessoas que estavam comigo perguntaram se estaria tudo bem irem embora
Eu disse ok
Se estava ruim para mim, imagina para as pessoas?
Finalmente minha vez, sozinha eu e o médico branco
Ele com cara de quem acordou agora. Óbvio ele realmente estava acordando. Dormia enquanto eu passava mal
Ele diz "Não sei o que você tem", lendo as informações colhidas na triagem por um enfermeiro negro
Faço a minha cara de sempre que os amigos sabem qual é! E em pensamento reflito "se você não sabe "doutor" imagina eu que não fiz medicina!"
Ele relê e passa remédios. Sem me examinar e nem buscar nada de relevante nos sinais que meu corpo poderia estar passando.
Depois no fim diz "você só se preocupa em voltar se sangrar"
Olho para ele e fico pensando
Já sangrou doutor!
Sangro todo dia!
Principalmente ao pensar na Necropolítica e saber que você poderia evitar que eu sangrasse mas prefere me deixar morrer
Prefere deixar que chegue no ponto do meu corpo não suportar
Prefere escolher quem vai viver e quem vai morrer
Hoje eu não morro, mas até quando sobrevivo?

*foto retirada da internet

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