first breath after coma

finalmente cheguei ao ponto da vida em que me permito comprar qualquer brinquedo, por mais sério que ele seja. brinquedo é tudo que é supérfluo, que não precisamos, mas que nos traz alegria. hoje em dia, me permito.

porque quanto mais triste você está, maior é a vontade de estar alegre, e alegria é isso, supérflua. você não precisa da alegria. você precisa da felicidade, e a felicidade não conflita com a tristeza, já que sou prova viva de uma pessoa feliz, realizada, e eternamente triste.

mas a tristeza traz a busca pela alegria em mim, e esse ainda é um dos meus mistérios comigo mesmo. me conheço bem, bem até demais. negocio comigo a cada segundo minhas hipocrisias, seja o que vou comer no jantar ou se deixo pra trabalhar amanhã — procurando uma promoção, um momento oportuno. e esse é um deles, então me permito.

dessa vez, no entanto, o supérfluo ganhou ar de misticismo. nunca pude ter uma bateria. cheguei a comprar uma guitarra, mas não levo jeito, apesar do talento musical que veementemente tenho. mas uma bateria, sempre foi sonho, sempre foi proibido. proibido pelo preço, pelo barulho.

mas sou homem feito, bem sucedido. preparei meu quarto extra pro meu novo bebê. ele deve chegar hoje. obsessivamente atualizo o rastreador da entrega. e, como toda alegria, vai passar, não dou um mês. mas hoje em dia, me permito.

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