sobre o tempo e a vida
um dia amarão com o que deixamos para trás
Quando Chico compôs Futuros Amantes, de certo nem mesmo ele acreditava nessa coisa de “não se afobar”, de acreditar que nada não é e nem nunca foi pra já. Talvez Caetano também não achasse que o tempo fosse assim um senhor tão bonito como disse lá em Oração ao Tempo.
Porque o tempo passa a ser o grande desafio da vida quando a gente cresce. O tempo de se fazer o gosta, o tempo de estar com quem se gosta, o tempo de pensar naquilo que se gosta.
Tão pouco tempo, tanta gente, tantas histórias, tanta coisa na memória, tantas recordações, tantas lembranças, tantos esquecimentos. Como dói esquecer, como nos destrói ser esquecido.
E o tempo segue lá, devorando o que parecemos ter de melhor, nossas histórias, poemas, músicas, e suas importâncias, interpretações, motivações, crenças. Transforma as boas histórias em literatura barata, contos picarescos que ninguém dá a menor importância. Nem nós mesmos, o que nos torna seres abomináveis. Que esquecem, que não lembram, que deixam de sentir.
Mas, e se na verdade, pimba, maktub, tudo tiver um propósito?
E se o tempo estiver nos levando contra nossa própria consciência para viver o que foi deixado preso à posta restante, no fundo de armário em silêncio?
Amores serão sempre amáveis, Chico também dizia. Indecifráveis, o eco dessas antigas palavras ressoarão em novas histórias. Histórias que precisamos viver.
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