Admirável Cinema Nacional Diversificado — por Clarissa Kuschnir

Foto: Divulgação

E lá fui eu novamente para mais um evento de cinema no Brasil! A parada é Fortaleza, para a primeira Mostra Cine Nordeste, que começou no dia 04 e segue até o dia 16 de abril, na Caixa Cultural, da capital cearense.

Nesse meu primeiro texto, não vou falar sobre um filme especificamente, mas sobre a alegria de poder acompanhar e conhecer um pouco mais, a safra de bons filmes nacionais, fora do circuito comercial. E é isso que eu tenho feito nesses últimos anos.

Fonte: Divulgação

Sim, eu amo cinema brasileiro e sou a primeira a levantar a bandeira para o nosso produto, desde a época da faculdade onde o defendia com unhas e dentes. E dentro desse universo do cinema nacional, o cinema do Nordeste, que para a maioria do público (a não ser quem faça parte do metiér) ainda é desconhecido. E confesso que sou fã desse cinema regional que não se limita apenas ao cangaço, a seca e a miséria. Ele vai muito além, a tomar como exemplo filmes como: Aquarius, do cineasta recifense Kléber Mendonça Filho, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes (eu particularmente gosto mais de seu primeiro longa O Som ao Redor).

Fonte: Divulgação

Boi Neon também do recifense Gabriel Mascaro, indicado ao prêmio Goya na Espanha e o fenômeno de bilheteria Halder Gomes, cineasta cearense que arrecadou mais de um milhão de espectadores com seus filmes Cine Holliúdy e O Shaolin do Sertão, com seu estilo de cinema muito próximo aos filmes dos Trapalhões. O cineasta que inclusive me concedeu uma entrevista (que saiu na revista Preview de janeiro), no final de dezembro, durante o festival Curta Canoa, acabou de rodar Cine Holliúdy 2, que deve chegar em breve, aos cinemas de todo o país.

Do meu preferido, eu só tenho a me rasgar em elogios para o belíssimo e emocionante A História da Eternidade, do também cineasta pernambucano Camilo Cavalcante. Um filme que teve carreira curta nos cinemas, e que merecia maior atenção de distribuição. Com uma fotografia do sertão de encher os olhos, a história se baseia na vida de três mulheres de diferentes gerações, em um lugar remoto e sem grandes perspectivas.

Voltando a mostra, que é idealizada pelo professor, realizador e crítico de cinema Marcelo Ikeda (um carioca que há alguns anos adotou o nordeste como sua casa), além de exibir longas metragens, tem em sua programação vários curtas de todas as regiões do nordeste, abrindo assim uma janela para que seu público local tenha acesso gratuitamente aos filmes. Em se tratando de curtas, temos uma safra muito boa, com muitos filmes premiados e muitas vezes até melhores que muitos longas, porém com acesso restrito aos festivais.

Marcelo Ikeda, idealizador e curador do Cine Nordeste

O Cine Nordeste ainda vai além disso, se estendendo com um ciclo de debates com profissionais do audiovisual (realizadores, produtores, gestores culturais) que terão oportunidade de expor os desafios para o desenvolvimento do cinema em seus estados.

Enfim, é muito gratificante saber que nosso cinema é muito rico em diversidade, assim como o nosso Brasil. Então, como se fala hoje em dia, bora prestigiar o cinema brasileiro!

Para conhecer melhor sobre o Cine Nordeste e sua programação basta acessar a página: www.mostracinenordeste.com.br

E assista um vídeo produzido por Kennel Rógis para ver uma prévia do que está sendo o evento:

Clarissa Kuschnir

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