Os orgasmos que o sexo não te proporciona

Entrega é o segredo que os nossos avós esqueceram de nos repassar. Em um mundo fast food não enxergamos intensidade em nada, exceto naquela noite no bar onde o jovem afirma que a vida é agora e esquece do amanhã. A vida, de fato, é esse exato momento onde eu estou escrevendo e alguém está lendo, mas a ansiedade de viver como se o próximo segundo fosse inexistente é cansativa. Além do detalhe, não tão pequeno, que caracteriza a nossa geração: o vazio, abismo entre qualquer sinal de sentimento e empatia. Nós ainda morreremos por isso.

Mas esquecendo dos nossos defeitos, devemos existir com mais vontade. Olhar para si e encontrar toda a liberdade necessária para viver e fazer brilhar em nós tudo que nos permita a entrega. Se amar tanto a ponto de um simples toque próprio fazer o corpo borbulhar. Gostar tanto do trabalho que aquele sábado de manhã terminando alguns detalhes se torna produtivo ao invés de cansativo. Ser feliz ao ponto de transbordar esse sentimento para desconhecidos na rua e distribuir sorrisos. Se permitir, em meio ao caos da rotina, ter a sensação única e indescritível do vento no rosto após uma breve chuva, ele renova a alma. Crescer ao ponto de não caber mais no próprio corpo. Gozar cada segundo vivido. Sentir prazer de acordar todo dia e ser você mesmo.

Viver a vida que nos foi prescrita, seguir nossos sonhos e fazer da nossa felicidade o objetivo número um, se entregando para tudo que o universo traz e para tudo que façamos, trará prazeres que o sexo, ainda que incrível, não conseguirá.

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