Penso que, talvez, a gente perca tempo demais segurando tão forte sentimentos que serão, em sua grande maioria, inevitavelmente superados, esquecidos. Embora todos saibamos que o agora dói ou faz sorrir, que temos que encarar para seguir em frente. Mas a reflexão de que a vida passa tão rápido aos nossos olhos, de que todos nós, realmente, morreremos em algum momento, deixando lembranças, roupas, cheiros e pessoas, receando de que a velhice provavelmente chegará para todos nós e a adolescência, a vida adulta, o agora será apagado por uma saudade absurda, remete um certo receio do possível irreconhecimento de quem éramos e de quem somos. Acredito, e espero, na verdade, que a nossa essência não seja apagada conforme os anos se seguem e que nós ainda consigamos sentir, no fio que liga a alma ao corpo, que o adolescente que planejava, o adulto que deslumbrava o agora e todas as dores e alegrias que ele causava, e todas as nossas milhares de versões que chegaram, ficaram, e foram, ainda estejam com nós, em um sentimento de que tudo valeu a pena. O agora é o momento para ser vivido, intensamente, sem pestanejar, sem pensar nos “e se” que nos travam em tantos momentos, daqui a alguns anos nada disso realmente importará, o medo será substituído pelo o que foi vivido ou pelo arrependimento dos espaços em brancos que nós mesmos deixamos ao longo da jornada. Devemos, no final das contas e reflexões, viver para se orgulhar, para não se arrepender, para valer a pena cada segundo que ainda temos.

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