Barretos, cidade con”tradição”.

Ah minha querida cidade, lugar onde nasci e vivi a maior parte da minha vida. O local onde tenho várias recordações, boas e ruins, bem como a vida, não é mesmo? No entanto, o enfoque deste humilde cidadão que vos fala não é construir um texto de memórias e muito menos nostálgico, mas sim relatar o que vejo e percebo da terra do peão.

O chão preto vem crescendo a passos de formiga e sem vontade em algumas áreas, ou melhor, em uma área em especial, a geração de empregos. É notável que houve uma melhora significativa, principalmente com a vinda de um shopping de verdade, várias lojas e empresas, mas onde estão os empregos? Isso mesmo estou falando de Emprego com E maiúsculo, não os subempregos que nos é ofertado todos os dias. Caro leitor, não me entenda mal, mas apenas reflita comigo, hoje em dia com a enorme oferta do acesso ao ensino superior as pessoas de uma forma ou de outra estão se “qualificando”, pois bem, quero deixar tudo bem explicado tim tim por tim tim para não me interpretarem de maneira errônea. O meu intuito, não é discutir que este acesso está trazendo para o mercado profissionais mais bem qualificados, até porque nos tempos atuais já não basta ter apenas uma faculdade, exige-se muito mais, mas o que quero dizer é que não há ou melhor, até agora desde que retornei a terra do rodeio, não há vagas para quem tem uma boa qualificação ou seja nível superior e etc.

Os patrões, os famosos daqui vão a imprensa todos cheios de razão dizer que o problema de Barretos não é a falta de emprego, mas sim a falta de qualificação, até concordo que este cenário até tem o seu fundo de verdade, o que não posso fazer coro é que a realidade é a seguinte: Os barretenses não querem apenas serem vendedores de loja, escravos por pouca recompensa. Ouvi dizer que até tem curso para a formação de vendedores, atitude e ação louvável, porque a melhora e a busca por aperfeiçoamento são sempre bem vindas; o que não posso concordar e que vai contra o que gostaria que fosse a realidade são que as vagas ofertadas tivessem uma melhor divulgação no quesito qualidade para quem estudou e investiu o seu tempo e dinheiro para se tornar um bom profissional e que ser vendedor ou qualquer outra profissão que seja considerada um subemprego não tem demérito algum, pelo contrário admiro um bom vendedor que faz com que você compre pela sua lábia, sua persuasão, simpatia, mesmo estando em dúvida se leva ou não leva, a questão é que tem muita gente boa por aí que está correndo atrás, só que por vezes tem que se deslocar para outras cidades em busca de melhores oportunidades, já que aqui não as encontra.

Nos meus olhos ainda pairam a esperança e a vontade de que em breve esta realidade possa mudar, já que o atual prefeito traz consigo jovialidade e uma vontade de fazer diferente ao que tudo indica. Uma pena não depender apenas dele, por isso todos deveriam pensar em prol a cidade e não só nas suas vantagens pessoais.​

E o tal de Q.I, não, não é o de inteligência, mas o famigerado “quem indica” parece imperar; se acho isso justo, não mesmo, mas vou ser sincero já me utilizei, mas quem nunca? Que atire a primeira pedra e me julgue, porém não me orgulho, quero ser reconhecido por quem sou e não por quem conheço. O mercado está cheio de “QIs”, mas não acredito que isto deveria ser o fator determinante para uma contratação, por favor, a qualidade e a vontade deveriam e devem prevalecer a meu ver, porque competência só se descobre no dia a dia.

Em abril deste ano, completo um ano de desemprego, por sorte tenho uma família que me ampara e da suporte para seguir em frente. Espero sinceramente não completar este triste aniversário. Observo que ao mesmo tempo em que a cidade passa por renovação e as “boas línguas” dizem que o caminho é esse e que aqui tudo será diferente daqui pra frente, torço para que estejam cobertas de razão e que aqui com toda essa tradição que possui no sertanejo e no universo caipira, a fez conhecida no Brasil e quiçá no mundo deixe para trás este retrato de contradições.

Escrito por Carlos Riverdi

21/01/2013

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