O ser jornalista: mercado de trabalho x área acadêmica

Por: Yuri Ferreira — Grupo 6

Com o fim da graduação se aproximando, a pergunta que existe desde o seu início parece atormentar com mais intensidade: e depois? É normal que haja dúvidas sobre qual carreira seguir e sobre o futuro que espera por cada um de nós, mas temos algumas opções.

Uma delas é o mercado de trabalho. É importante que jornalistas em formação conheçam essa realidade e as novas possibilidades de atuação no ramo da comunicação. Desde quando a Internet se mostrou uma força a ser reconhecida, e as grandes marcas do jornalismo lançaram seus portais de notícias e conteúdos, a especialização em webjornalismo passou a ser um diferencial que permite ao profissional trabalhar com mais ferramentas. A Lei de Acesso à Informação, promulgada em 2011, regulamenta o direito constitucional de acesso às informações públicas, também possibilitando aos jornalistas mais segurança ao trabalhar com tais dados.

Mas, também é necessário reconhecer os desafios: o jornalismo tradicional está sofrendo alterações. As redações de jornais e revistas estão cada vez mais enxutas — em 2015, 1400 jornalistas foram demitidos, segundo reportagem do Observatório da Imprensa. A exigência por profissionais multitarefas tem crescido e, devido a isso, muitas pessoas têm suas habilidades de trabalho desvalorizadas, assim como o salário. O site da FENAJ divulgou uma lista com informações sobre o piso salarial do jornalista por região no Brasil: o mais alto é o do Estado do Paraná, R$ 3.384,79, enquanto o mais baixo é o do Rio de Janeiro, R$ 1.115,44.

Mas apenas cortar gastos parece ser o caminho perfeito para o fracasso: com a revolução digital, passou a ser ainda mais necessário pensar em conteúdos de qualidade para o público, 24 horas por dia. Os acontecimentos passados importam menos ainda do que antes. As redes sociais são rápidas em divulgar informações, portanto, a checagem de fatos se mostra mais importante do que nunca.

Por outro lado, há a opção de seguir carreira acadêmica. Segundo Roberta dos Santos Barossi, professora do MBA em Gestão de Pessoas da Unisinos, em entrevista para a revista Galileu, as vantagens da área se refletem na flexibilidade de horários não encontrada no mercado de trabalho, um conhecimento aprofundado sempre atualizado e networking. Para ela, a maior desvantagem é o fato de todo o conhecimento apreendido na área não ser aplicado na prática. Como servidor acadêmico, o profissional pode lecionar e realizar pesquisas especializadas sobre temas coerentes à sua formação.

Mas, é possível conciliar uma atuação em ambas as áreas? O que deve ser considerado antes de migrar do mercado de trabalho para a academia, e vice-versa? Como se preparar para mudar totalmente a sua carreira no jornalismo? Essas e mais perguntas poderão ser respondidas no Seminário Avançado que acontecerá no dia 13 de julho, às 14 horas, na sala 70 da UNESP campus de Bauru. Pretendemos trazer um debate em torno de quais oportunidades existem após o fim da graduação, quais as vantagens e desafios de cada escolha e o que deve ser levado em consideração durante o processo.