“Você sabe o que é frustração… máquina de fazer vilão”

Eu sou frustrado, porque não consigo navegar em nenhum dos mundos que me interessam. O mundo material não há escapatória enquanto estiver vivo, terei de lidar com a contas para pagar, coisas a serem compradas, pessoas com quem lidar, empregos a serem conquistados e trabalhados, mas nada disso me atrai. Porque deveria gastar X horas do meu dia fazendo algo que não me interessa só para ganhar Y de dinheiro para comprar algumas coisas que nem tenho certeza se realmente quero? Não gosto de lidar com muitas pessoas, seus assuntos não me interessam e a possibilidade de passar a maior parte do meio dia ouvindo suas conversas que em nada tem a ver comigo revira meu estômago. Então penso no que os outros possam pensar sobre mim: um vagabundo, encostado e daí pra baixo, mas não posso fingir interesse em algo que não me interessa e isso me puxa ainda mais pra baixo. O dilema é que preciso de dinheiro para ter minhas contas pagas e o certo nível de conforto que desejo, que não é muito, mas nem isso consigo fazer decentemente, já que meu atual emprego parece trocar 6 por meia-dúzia, acabando dependendo do esforço da minha mulher e sua família. Até para minha mãe que está fudida de grana eu devo dinheiro. Merda!

Agora tem o lado espiritual que busco quase todos os dias, talvez numa tentativa de afastar esse sofrimento e sentimento de uma vida incompleta. Por mais que leia, estude e entenda alguns conceitos de forma intelectual, não consigo traduzir uma única vírgula em prática espiritual já que continuo sendo o mesmo prepotente, que se considera um possível futuro iluminado, mas que que vive desejando coisas que não tem e nem é capaz de atuar decentemente espiritualmente. Merda de novo.

Ficar preso nesse ciclo repetitivo me enfurece que as vezes preferia que esse mundo se explodisse em um trilhão de pedaços só para não ter que lidar com toda essa merda que não consigo resolver, essa sensação de inutilidade e incapacidade. Que vontade de socar as coisas que estão na minha frente! Talvez a única coisa que faça bem seja assimilar intelectualmente bem conteúdo que estudo e escrever razoavelmente melhor que a maioria das pessoas, mas não transformo isso em nada útil, nem para mim, nem para os outros.

Às vezes a vida é um saco e esse as vezes vem se tornando cada vez mais comum e eu não sei o que fazer com essa raiva e frustração, que para piorar, tem me causada insônia de um modo que nunca tive, nem quando era altamente estressado quando tocava um cartório de registro de imóveis. Inevitável olhar minha vida como uma ladeira a baixo.

Talvez possa corrigir essas merdas toda na minha próxima encarnação, mas o budismo não é muito animador nesse lado, afinal posso nascer como um cachorro ou num reino dos fantasmas famintos, onde não teria possibilidade de me salvar, só sofrer e esperar passar. Outras doutrinas dizem que minhas falhas nesta vida serão cobradas em situações piores em vidas futuras, mesmo que reencarne como humano. Ainda existe a possibilidade de não existir vida nenhuma, nada, após essa aqui e então terá sido apenas sofrimento e frustração, salpicado com alguns momentos de alegria e felicidade. Não daria uma bela biografia.

É, o sol não parece brilhar para nenhum lado que olho. Terceira vez, MERDA!

Nem coragem de publicar isso com meu nome eu tenho, mesmo que lá no fundo tenha uma pontinha de esperança de que alguém possa ler e me ajudar, mas meu orgulho idiota é ainda maior, porque até mesmo a falsa imagem que tenho de mim e a qual mostro para os outros eu não consigo me desapegar.

Perdi meu irmão num acidente de carro quando eu tinha 10 anos e ele 17. Às vezes penso que preferia estar no lugar dele. Numa cara psicografada, acredite você nisso ou não, ele me chamou de fortaleza, supostamente um elogio que deveria me animar, mas não consigo evitar imaginar que seja um lugar que está sempre tomando porrada e tentando ser invadido.

Sei que muitos — inúmeros — possuem uma vida bem mais difícil que a minha, mas o sofrimento está na minha mente e ela parece não ter limites.

Me faço de vítima? É justo! Mas me faço vítima do que? Também não sei…. Porque tudo é tão indefinido?!

Alguns poderiam sugerir para eu parar de reclamar e ir à luta, provavelmente estão com a razão, mas onde fica essa luta? Lutar pelo que?

Que fase…