Museu Nacional e o meu medo de tudo acabar acontecendo
Como toda boa carioca, sempre que possível visitava a Quinta da Boa Vista… e a fachada do Museu Nacional.
Eu fui uma criança que amava museus, mas tinha um encantamento misturado com medo daquele prédio imponente, imperial. Medo de eu estar lá dentro e TUDO CAIR. Sempre soube dos problemas do museu — falta de tudo um pouco, sendo a falta de conservação a mais aparente.
Só entrei no museu no final de junho de 2003, depois de muita insistência da minha mãe e curiosidade atiçada. Foi um sentimento de MINHA NOSSA no bom e no mau sentido. Várias coisas lindas e encantadoras e enriquecedoras demais para a absorver numa visita só. Mas sempre algumas salas fechadas, identificação das coisas muito antiga, uma sensação que não vi tudo o que podia e que algo faltava. Mesmo sendo criança dava pra perceber a diferença entre o museu e o CCBB por exemplo, que sempre tinha monitores, atividades, entre outras coisas abertas ao público. Na época eu não sacava isso de administração privada ou pública.
Mas especialmente no Museu Nacional eu sentia um abandono planejado. Não é segredo que coisas e memórias imperiais não eram bem vistas pela República imposta, mas isso faz muito tempo. Governos se passaram e o Museu Nacional voltou às graças… mas isso no governo Vargas. Na internet li que o último presidente a pisar lá foi JK e foi caindo no esquecimento dos governantes, mas nunca do povo que ia quando podia e tirava fotos que estão presentes em vários álbuns de família.
Posso contar nos dedos as vezes que eu entrei no museu. Ficou fechado por muito tempo para reforma — eu ainda peguei ele cor de rosa!!! — e fiquei muito esperançosa quando a reforma terminou… até entrar lá e não ver td 100%, mas ainda achando um museu maravilhoso.
A última vez que fui no museu foi no meu primeiro aniversário de namoro, com alguém que nunca tinha ido ao museu, 8 de julho de 2018. Foi incrível apresentar o museu para ele, que falou que era impossível absorver tudo por causa de tanta informação.
Agora é uma promessa que eu não posso cumprir, pois o fogo do descaso queimou uma parte da minha história. Da história do Brasil
