Compacto autografado por Zé Rodrix, 25 anos após o lançamento. Foto: Serginho Franco.

“É impossível para de dançar” é o lado B do compacto “Soy Latino Americano” de 1976. Meio soul, meio discoteca, meio rock, o Zé Rodrix ameaçou surfar no mundo disco mas o que valia mesmo era a jocosidade, a ironia e a malemolência do lado A.

O compacto é de 1976, quando eu achava estranho que o mesmo cara que tinha composto “Casa no Campo” da Elis, pudesse também fazer uma música meio jocosa, meio engraçada. Estava na cara que era de sacanagem mas a música era boa e eu comprei o disco numa lojinha da Mooca.

Isso foi um…


Pílulas. Foto: Serginho Franco. Junho, 2015

Qual o limite que separa o “vou agradar o cliente” do “vou fazer um bom trabalho”?

Você escreve. Reescreve. Jamais termina, nunca desiste. Um texto é eterno, mesmo que você não queira. É como a receita de um bom prato: sempre dá para fazer melhor. Não que a sopa não tenha ficado gostosa, mas a batata poderia dar um sabor diferente. A única diferença entre a culinária e a redação é que no mundo das palavras, a receita melhora cada vez que você tira um ingrediente. Pouco papo, frases curtas. Pouca explicação.
Se você emocionou alguém, está valendo.

O paraíso…


Brooklyn Museum. Outubro de 2014. Foto: Serginho Franco.

Ele simplesmente não conseguia viver na incerteza.

-Adivinha…
-O quê?
-Só adivinha, Freitas… Tcharamm!!!

Maria estava rosada, cheinha. Freitas já tinha reparado o aumento de apetite e o sutil comprometimento das formas.

-Envelope na mão… quilos a mais…
-É isso, Freitas
-Isso o quê?
-Caramba, Freitas, você sabe destruir qualquer clima. Eu tô grávida, porra.
-Darcy.
-O quê?
-Vai se chamar Darcy.
-Que mané Darcy, Freitas. A gente nem sabe se vai ser homem ou mulher e você já vem dando nome. Darcy?!
-Darcy é perfeito. Serve pra homem e mulher. …


Foto: Serginho Franco. Carrossel do Brooklin. Out 2014.

Redator publicitário que nunca escreveu ao menos um "Manifesto" na vida nem deveria ser considerado redator.

De uns tempos para cá a propaganda tem se reinventado. Aliás, desde que Cecília Meireles disse que a vida só é possível reinventada, ninguém levou isso mais a sério que a propaganda.

Há alguns anos atrás, lá pelos idos de 1997, quando o viral ainda era um brilho no olhar do internauta, a colunista do Chicago Tribune Mary Schimich publicou o texto “Advice, like youth, probably just wasted on the young” (Conselhos que, como a juventude, são desperdiçados pelos jovens). Nesse texto ela dizia…


Foto: Serginho Franco — novembro 2014 em NYC.

Das semelhanças entre Lady Day e Dolores Duran.

Sempre achei Billie Holiday muito parecida com Dolores Duran. Sem base teórica nenhuma. As vozes são bem diferentes mas, sei lá porque, quando eu pensava em uma eu enxergava a outra.

Eu não entendia as letras da Billie Holiday mas tinha certeza que a tristeza da voz de uma tinha exatamente o mesmo significado das letras da outra. As melodias eram iguais. Com aquele chiado grave dos discos antigos, me acostumei a ouvir as duas como se fossem uma, por toda minha vida.

Hoje, acordei com a lembrança de ter lido algo…


Foto: Serginho Franco. 13/04/2015 na Choperia do SESC Pompéia.

Quem se importa com o novo quando tudo o que se quer ouvir é o definitivo?

Sou geração Barros de Alencar. Cresci ouvindo na copa o radinho chiando tocando as sete mais do dia, as sete campeãs. Cresci ao som de um xilofone que anunciava a Rádio América, que ao meio-dia apresentava o Clube do Rei. Cresci numa época em que era impensável assistir TV pela manhã e que um dia não era um bom dia se não começasse com a saudação “Gil Gomes lhes diz… bom dia”. …


Woody Allen and The Eddy Davis New Orleans Jazz Band no Café Carlyle em New York. Foto: Serginho Franco

Se eu fosse palhaço não iria querer passar meus momentos de folga contando piadas. Eu cozinharia, tocaria banjo ou leria as tragédias completas de Shakespeare. Ou simplesmente ficaria calado numa estação de Metrô olhando as pessoas tristes andando ao meu redor. Longe dos risos falsos e alegrias.

Com esse sentimento eu abri mão de ter um site com os anúncios e comerciais que fiz durante minha vida.

Talvez eu não tenha sido tão criativo quanto o palhaço nesta via paralela, mas ser criativo é meu trabalho e, fora dele, tudo o que eu não quero ser é o publicitário-padrão. Queria…

Sergio Franco Jr

Redator publicitário. Músico. Autor dos livros As 500 melhores coisas de ser pai, O Livro da Mãe e Paúra.

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