O racismo nas redes sociais, agora na franquia Harry Potter

Além do spin-off no universo Harry Potter, Animais Fantásticos e onde habitam, também fora anunciado no meio do ano a peça londrina Harry Potter e a Criança Amaldiçoada que se passará quase 2 décadas depois do sétimo livro. No último dia 20, foi anunciado o elenco principal da peça, Harry, Rony e Hermione, interpretados por Jamie Parker, Paul Thronley e Noma Dumenzweni, respectivamente.

E… as redes sociais vieram a baixo. Por um simples motivo: Noma é negra. Não importa o quão boa a atriz seja, já atuando em Macbeth e Doctor Who na TV, além de vencer o maior prêmio do teatro londrino, Laurence Olivier Awards, por sua atuação em A Raisin in the Sun, ganhando de grandes nomes como Benedict Cumberbatch — BBC Sherlock (Sherlock Holmes), The Imitation Game (Alan Turing) e The Hobbit (Smaug) e David Bradley — Argus Filch, de Harry Potter.

E quando questionada como se sente a respeito da escolha no Twitter, J.K. Rowling (que aprovou os atores), deu mais uma de suas brilhantes declarações.

“Olhos castanhos, cabelos crespos e muito inteligente. Pele branca nunca foi espeficiado. Rowling amou a Hermione negra.”

Mesmo assim, os ataques foram vários. E esse, infelizmente, não é um caso isolado. Aconteceu com os atores de Hunger Games (Jogos Vorazes), Lenny Kravitz na interpretação do estilista Cinna, o nigeriano Dayo Okeniyi e Amandla Stenberg, ambos interpretando os representantes do distrito 8 nos jogos, Tresh e Rue, respectivamente.

Mesmo que nos livros os dois últimos foram descritos como negros e Cinna nunca fora especificado. O irônico é que Katniss é descrita como com pele morena e ninguém se incomodou com a Jennifer Laurence no papel. E certamente não é apenas pelo seu talento, afinal todos os atores citados são ótimos.

Além disso, casos brasileiros aconteceram aos montes nos últimos meses. O casal mestiço que publicou uma foto no facebook, a Maju do Jornal Nacional e até mesmo Taís Araújo, uma das mais belas e competentes atrizes do Brasil, além dos casos no esporte.

Design social em combate ao racismo

Na Hyperlinks, não temos o intuito de discutir política, sociedade, economia, mas design e mercado digital. Felizmente, design nos permite discutir e influenciar em todos esses pontos citados. Veja só:

O Laboratório de Estudos em Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) criou o projeto “Monitor de Direitos Humanos”, um projeto de design digital para monitorar comentários na internet buscando termos relativos a práticas racistas, sexistas, xenofóbicas e homofóbicas. Os dados ficarão disponíveis online e servirá como fonte de denúncias, para ajudar a punição de criminosos virtuais desse tipo.

Os pesquisadores e desenvolvedores do projeto estão apenas aguardando a aprovação do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos para ser publicado. Um primeiro passo para resolver esse problema que deveria de ter sido um problema há muito, muito tempo. Ouça a entrevista de Fábio Goveia, um dos coordenadores do projeto, para a rádio CBN Vitória e entenda mais como vai funcionar:


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