Noite agitada
Madrugada fria na cidade.
O aconchego dos lençóis e cobertas me faz dormir profundamente, placidamente.
Até que uma explosão me acorda. Forte, alta, intensa. Desperto igual um daqueles supercarros, que vão de 0 a 100 km em 4 segundos. Eu fui do sono profundo ao completo despertar, com direito ao coração disparado. Mesmo assim assustado, minha memória luta com meu raciocínio. Afinal pelo barulho deveria ser uma batida muito forte em um poste. Ahhh, esqueci de falar, estava sem luz. Mas a memória não lembra de sons de impacto metálicos ou de vidros se partindo, então não permite uma conclusão.
Ok, levanto e subo à varanda. Pode ser um transformador que explodiu, tem um par logo embaixo do meu bloco de apartamentos.
Olho por sobre o muro e apenas o quadrado de edifícios mais próximo está às escuras. O restante da rua, e a próprio rua, estão iluminados.
Volto para dentro, desligo o computador e o nobreak. Bichinho barulhento ele. E depois o nobreak da TV. Outro bichinho irritado porque está sem comida.
E claro, tem mais um bichinho, este verdadeiramente eufórico porque tem uma companhia na madrugada: meu gato.
Ele está ligado no modo turbo, correndo pra todo lado, roçando na minha perna e quase me derrubando da escada. Feliz da vida. Dou ração para ele, mas não adianta. Não era comida que ele queria, era bagunçar.
Bom, por curiosidade subo novamente e espio, meio decepcionado, afinal não foi o transformador, ele não está queimando igual uma vela. Nem tem cheiro de queimado. Gosto de ver esses coisos acesos iguais a velas gigantes. Eu me perco um pouco lembrando da última vez que eu vi isso.
De repente: cabummmmmm!!
Outra explosão, desta vez no poste do outra lado da rua, em frente ao transformador. Forte, alta e brilhante. Linda!
E claro que desta vez toda a rua se apagou. Só ficou iluminado um condomínio que estranhamente recebe eletricidade da rua de trás, apesar de ficar também na minha rua.
Bom, escuridão total, hora de dormir.
Claro que talvez uns 20 minutos depois a luz volta. Eu estava sem conseguir dormir mesmo, então esperei. A luz se manteve um bom tempo, mais de 10 minutos.
Subi e liguei os nobreaks de novo e o computador. E feliz volto a dormir.
E claro que a energia vai embora de novo. Acho que não fez barulho forte dessa vez. Sou acordado quando me dizem:
— Está fazendo barulho, vão reclamar.
Desta vez meu cérebro não acordou direito. Nã na ni na não.
Mesmo assim fui desligar os reclamões famintos barulhentos. E ser assediado pelo gato que estava, pelo visto, consumindo toda a eletricidade de casa.
Volto pra cama pensando: como será que configuro esses troços para se acabar a luz não ficarem fazendo barulho.
Acordo com os caminhões da companhia elétrica consertando sei lá o que, em sei lá onde, que causou a pane. Claro que os caminhões estavam debaixo da minha janela, acelerando, por isso acordei.
Nem sinal do gato. Deve estar decepcionado com este humano sonolento.
Estou com sono.