Partir de Cristo

Santa Elisabete da Trindade dizia que seu “livro preferido” era Jesus Cristo.

São Félix de Cantalice dizia:

“Conheço somente seis letras, cinco vermelhas e uma branca; as vermelhas são as chagas do meu Senhor e a branca, as alegrias da Mãe do Senhor”.

O risco de nos tornarmos cristãos culturais (“cristianistas”, segundo Remi Brague) e não cristãos de fato, ronda o nosso tempo. Temos muita gente fascinada com o grande tesouro do Ocidente (que foi berçado pela Igreja), que é realmente apaixonante, mas poucos dispostos a ir ao “encontro de uma Presença”, como ensinava Don Giussani…

Lembremos das palavras sempre precisas de Bento XVI na “Deus Caritas Est”:

“Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. No seu Evangelho, João tinha expressado este acontecimento com as palavras seguintes: « Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único para que todo o que n’Ele crer (…) tenha a vida eterna » (3, 16).

“Partir de Cristo” é sempre o mote. Tudo pode ser recapitulado em Cristo: toda a criação, o homem, a cultura, a história:

“Recapitular em Cristo, o universo inteiro: tudo o que está nos céus e tudo o que está sobre a terra.” (Efésios 1,10).
“Na expressão “Cristo reúne em si todas as coisas”, Santo Irineu inclui o homem, tocado pelo mistério da Encarnação. Essa afluência de todos os seres em Cristo, centro do tempo e do espaço, realiza-se progressivamente na história, ultrapassando os obstáculos e as resistências do pecado e do Maligno. “ 
(São João Paulo II)

Sempre a partir de Cristo…

Nisso, na distinção entre Deus e as obras de Deus, nos ajuda o valioso testemunho do Cardeal Van Thuan, prisioneiro do regime comunista no Vietnan:

“Meditava, nos dias terríveis da prisão, sobre a pergunta feita pelos discípulos a Jesus, durante a tempestade: “Mestre, não se Te dá que pereçamos?” (Mc 4, 39), até que uma noite, do fundo do coração, uma voz lhe falou: “Porque te atormentas tanto? Deves distinguir entre Deus e as obras de Deus, tudo o que realizaste e desejas continuar a fazer, visitas pastorais, formação de seminaristas, religiosos, religiosas, leigos, jovens, construção de escolas, de centros para estudantes, missões para a evangelização dos não-cristãos…, tudo isto é uma obra excelente, são obras de Deus, mas não são Deus! Se Deus quiser que tu abandones todas estas obras, pondo-as em Suas mãos, fá-lo imediatamente, e tem confiança n’Ele. Deus fá-lo-á infinitamente melhor do que tu; ele confiará as Suas obras a outros, muito mais capazes do que tu. Tu escolheste unicamente Deus, e não as suas obras!”.

Devemos partir de Cristo, para, ao longo de todo caminho, e ao fim, permanecermos com Ele.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.