Sexo tântrico: como derreter seu ego em 40 minutos

{A parte ‘feminina’ do texto está aqui, escrito pela Alexandra, minha companheira, sobre a nossa experiência com o sexo tântrico}

Tantra muda a vida — mas só de quem pratica. Não basta fazer o curso se você não praticar, é importantíssimo saber disso.

O meu relato, apesar de eu ser o parceiro da Alexandra nesta aventura, será um pouco diferente do dela, especialmente o início. Eu não atingi o paraíso na primeira massagem. Foi somente fora daquele lugar maravilhoso, chamado Comuna Metamorfose, que eu tive experiências transcendentais.

Devo tudo isso a prática, a prática e a prática!

Não só do tantra, eu medito diariamente há um ano e meio.

A Alexandra não medita sempre (somente quando o estresse aperta) e ela não está no mesmo platô do que eu no tantra. Creio que eu tenha atingido platôs mais avançados justamente por conta da ajuda da meditação. Cheguei a alguns níveis muito elevados com o tempo (a prática), a ponto de desmanchar meu ego e ser pura energia.

Você vai conseguir isso também?

Não faço a menor ideia, cada experiência é única e cada pessoa tem as suas experiências. As tuas experiências serão, certamente, influenciadas pelas tuas crenças e pela tua visão de mundo.

Tudo começou com a Delerium, treinamento multiorgástico para casais.

Não é uma suruba, como alguns que não leram o texto da Alexandra teimam em achar, é exatamente o contrário: o Delerium é um treinamento para reconectar casais e ensinar a aprofundar os prazeres da sexualidade.

Em primeiro lugar, descobre-se que todo ser humano pode usufruir de orgasmos múltiplos.

A cena: uma casa toda de madeira e vidro construída numa pedra — num lugar paradisíaco entre as montanhas — música animada, lareira, boa comida e 30 casais.

Alexandra comenta que eu pareço calmo (eu sempre pareci calmo, mesmo quando não estou).

Duvido que alguém que nunca teve atividades sexuais na frente de uma multidão fique calmo numa hora dessas. De qualquer modo, as preocupações do homem são outras: “será que realmente existe orgasmo sem ejaculação ou isso é coisa de picareta que promete o que não cumpre? Será que vou conseguir uma ereção na frente de toda essa gente?”

O Tantra é uma filosofia matriarcal, o que significa que as mulheres têm a preferência, portanto, elas recebem sempre primeiro. Depois de ver toda aquela gritaria das mulheres, outro pensamento veio à tona: “não tem como os homens terem uma experiência assim! Isso é injusto!”

Quando fiz a massagem na Alexandra, tive a alegria de ver ela gozar como nunca antes tinha visto. Depois que terminamos, a orientação era deixar as mulheres sozinhas para “integrar a experiência”. Cheio de dores, causadas pelas posições ingratas, saí de lado, encostei na parede de vidro e tentei meditar. Detalhe: eu vinha meditando (meditação transcendental) diariamente há alguns meses.

Quando abro os olhos, as cortinas que antes estavam todas fechadas são abertas, o pôr-do-sol dava sinal de estar próximo. Coisa mais linda do mundo é ver o pôr-do-sol enquanto 30 mulheres integram após gozarem feito loucas.

Então eu vi a cena que mudou tudo! Como estávamos no canto, encostado na parece eu tinha uma visão global da sala, vi duas mulheres mais avançadas no tantra tendo espasmos durante 5min, 10min, 15min, 20min sem que ninguém tocasse nelas, isso quer dizer, elas ainda estavam tendo orgasmos, enquanto eu olhava atônito.

Lágrimas vieram aos meus olhos embaçando a visão. Eu pensei: “é isso, a volta ao corpo, é isso que Nietzsche veio nos ensinar — embora ele mesmo não tenha conseguido aproveitar os grilhões que ele tirou do resto da humanidade; e o Osho, eles eram tão diferentes, além disso, o Osho aproveitou o sexo de maneira plena e radical, enquanto Nietzsche, como bom europeu, permaneceu castrado até o fim!”

Acordo para realidade quando avisam que é hora do intervalo. Lanchamos e finalmente chega a vez dos homens. Intelectualmente eu sou mais livre que o Calígula, uma das coisas que se aprende no Tantra é que pensamento em matéria de sexo só atrapalha, a verdadeira sensação vem com a mente quieta da falação, do pensamento ordinário.

Primeiro, a instrutora, no corpo nu do instrutor, ensina as mulheres as manobras básicas da “lingam massagem”, em bom português: massagem no pênis. As manobras têm em comum movimentos inversos a masturbação, grande truque cognitivo para intensificar as sensações. São 6 ou 7 manobras, fáceis de fazer. Ficamos nessa experiência por quase uma hora, até que a minha companheira não aguentava mais fazer os movimentos, que são bem cansativos nas primeiras vezes.

Logo que começamos vejo o cara acima de mim tremendo todo como se estive tendo um ataque epilético: “esse cara não pode já estar gozando, isso só pode ser falso, eu nem senti nada ainda”.

Fiquei constrangido com minha falta de sensação comparado ao colega com seus pés bem próximos a minha cabeça. Toda vez que ele gozava, enquanto eu achava humanamente impossível gozar sem ejacular, eu ficava mais constrangido. Para ajudar, ele se debatia e seus pés se chocavam violentamente no chão — do lado dos meus ouvidos: pá pá pá pá pá pá pá.

Descobri que o amigo estava no mesmo quarto do que eu. Descobri também que 2 dos 4 que estavam no nosso quarto estavam gozando a seco loucamente. Era difícil os dois estarem mentindo, não tinham qualquer pretensão de se exibir, gozar multiplamente era suficiente para eles, eu é que queria detalhes.

O amigo escandaloso já estava na sua quarta participação do Delerium e deu a dica: Sérgio, quando tu sentires um primeiro espasmo, força para continuar que aí não vai parar mais!

“Orgasmos múltiplos do homem existem” — foi o que pensei.

No segundo dia as coisas já melhoraram, me grudei na dica do amigo e comecei a ter os primeiros espasmos — ainda tímidos. Me dei conta de que parte da minha inibição inicial vinha de más experiências de sexo com mais pessoas no passado. As experiências que tive, como dizem os terapeutas cognitivos, haviam deixado um registro negativo do sexo em grupo.

É bom lembrar que no caso da Delerium não tem nada de grupo, só divide-se o mesmo ambiente, ou forma-se uma egrégora de suporte mútuo, mas cada casal foca exclusivamente no seu parceiro. Mesmo assim, nosso cérebro não é tão esperto para separar as más experiências passadas desta egrégora virtuosa, e não consegui me soltar como gostaria.

Já em casa, a minha vida realmente mudou a partir da 4ª experiência de receber a massagem. Foi aí, meus caros, que eu conheci essa história de passear no céu que Alexandra falou. Minha vida mudou para todo sempre, tive experiências incríveis no último ano, mas isso fica para uma outra hora.