Metamorfose

Eu sangrei diferente naquele momento. Meu estômago doía, estava frio e minhas pupilas dilatadas. A paranoia havia me atingido tão fortemente, que meu sangue estava vívido no chão. Por um segundo, eu havia encontrado um êxtase inexplicável. Um prazer que partia o universo ao meio e que me mantia acordado para ver as cores quebradas flutuando pelo vazio da escuridão imensurável. Tudo fora criado pela inconsequência do acaso, e agora ele partia. Eu o senti sendo sugado de mim, tomando minha percepção de volta, como se a houvesse me emprestado por alguns instantes.

Embora o relógio continuasse funcionando, o tempo não significava nada. As dimensões interagiam e se proliferavam, o espaço se misturava a outros, e tudo se tornara indecifrável. Como foi no começo. O motivo da gênesis se perdia na noção da vida constante e experiências empíricas e genéricas. Todo motivo criado diminuía a sua importância, o conformismo crescia no meu peito e tudo, por um breve momento, pareceu singelo e indolor. A ignorância forjava minha felicidade, e eu poderia me sentir como eu quisesse. Eu não precisava de mais nada. Mas era assim que eu supostamente deveria me sentir. O meio forjava a minha ignorância. Eu estava doente. Eu me sentia doente. Então eu a vomitei com toda a força que eu pude arranjar. Vomitei até a minha garganta estourar e meu sangue se misturar ao vômito. E ali estava. O sangue mais vívido e sincero que eu já tinha visto… o sangue da inconformidade existencial.

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