A violência minha de cada dia
A violência está enraizada nas minhas palavras e ações cotidianas. Talvez infinitamente menos aparente que uma agressão física, mas presente na mesma medida.
Paro para observar meus pensamentos e fico triste ao perceber que, algumas vezes, a primeira coisa que vem é algo agressivo, opressor, crítico, destrutivo.
Percebo em mim uma necessidade de segurança que, ao ouvir alguém falando sobre visões diferentes das minhas, grita em minha mente. Uma tentativa de amenizar a dor de as coisas não serem como quero. E assim se repete em diversas ocasiões.
Porém, fico feliz ao perceber estes pensamentos e poder ir além deles. Conscientemente observá-los e encontrar o que está vivo dentro de mim, que se torna externo por meio deles.
E, então, posso mudar minha comunicação. Acolher esse medo, lidar com minhas sombras. Olhar para o próximo e buscar entender o que vibra dentro dele. Perguntar. Me conectar.
Isso desgasta. Tira bastante energia. Afinal, parece ser tão mais fácil criticar e brigar.
Sei muito bem como ter sempre razão, e ainda estou aprendendo como ter mais conexão.
Ter conexão alimenta a alma. Ajuda a ver a beleza da vida, das pessoas. Ajuda a seguir em frente. Contribuir para o meu próprio bem estar e também para o bem estar do outro. Enxergar que além do certo e do errado, existem necessidades. E que podemos atendê-las, juntos, no amor e cuidado.
Cuidar da nossa comunicação é cuidar de nós, do outro, do planeta.
Sergio Luciano & Laura Claessens