Dark Matter

Esta desconhecida

Sergio Vieira
Jul 22, 2017 · 4 min read

Minha formação é em Engenharia Eletrônica, mas se fosse menos estúpido teria feito Física e uma carreira acadêmica, mesmo que na meia idade. Hoje sexagenário me contento em acompanhar alguns artigos científicos, estudar alguns novos conceitos de física de partículas e cosmologia, e, claro, ficar fascinado como se ainda tivesse 17 anos.

Ainda esta semana verificando a timeline do twitter me deparei com este link.

O artigo — Is Dark Matter Real? me interessava e não tive dúvida alguma, cliquei, fui ler, e obviamente, repliquei a postagem.

Nota: Só para pautar o problemão que é este tema, informo que a Matéria Escura é algo que não conseguimos perceber. Ela - supõem-se - é um tipo de sub-partícula atômica que não reage com as forças do Standard Model (eletromagnetismo, e forças nucleares forte e fraca).

Se não é possível medir esta "matéria", como podem alguns cientistas cogitarem a sua existência? Pois bem, este é o papel deles. Inferir, criar hipóteses. Alguns fatos naturais observáveis não são diretamente ou coerentemente explicáveis. Aí entram os cientistas com suas inferências e hipóteses, e claro, o Método Científico.

Em tempo. Sugiro que se você ainda não tenha lido atentamente o artigo - do link citado acima - de 16 de Julho de 2017, assinado pelo Prof. Don Lincoln, Cientista Sênior do Fermi National Accelerator Laboratory e Prof. Adjunto de Física da University of Notre Dame - pare agora e o leia atentamente (desculpe, mas só achei a versão original, em inglês) pois, só com a compreensão deste texto você poderá entender o que se seguiu.

Com a replicação do twitt, recebi rapidamente (suspeitei - e acertei - ser um bot) este reply:

Após ler (e reler) o artigo do Prof. Don Lincoln fui atrás do link indicado por este Gregorio Baquero, e… várias surpresas!

O Jose Gregorio Barquero é um ilustre desconhecido - não há nenhuma referência acadêmica ao seu nome, artigos, universidades, laboratórios - apesar da presença frequente em qualquer área de comentários de textos ou vídeos que possuam as duas palavrinhas: DARK MATTER. Ele sempre faz um comentário, ao menos com proficiência no assunto, ou adiciona o post reproduzido acima (quer apostar que se bobear o bot vai colocar o links e as hashtags aqui?).

Em segundo lugar, a página wordpress do link apresenta um artigo curto de janeiro de 2017 onde, por meio de uma teoria matemática elevada, Barquero elabora uma abordagem bastante heterodoxa sobre a natureza da matéria escura.
Sinceramente não sei se esta proposição é muito estranha, ou muito elaborada. Mesmo o resumo que Barquero faz em resposta a um comentário do seu artigo deixa obscura (não resisti ao chiste) a questão:

“If I am right. Dark Matter should be called Dark Equivalent Mass. All forms of travelling energy (mainly vacuum energy) gets delayed around cosmic structures (Shapiro Delay). The net effect of the delay is extra spacetime curvature due to higher energy density differentials.

Dark Energy is a little more difficult. Spacetime itself aka existence is made out of energy. Its quanta emits (Dark Energy) and absorbs (Gravity) energy. On my second blog I study one possibility for the nature of Dark Energy and Gravity phenomena.

Thank you for your interest.”

Realmente, como nada se sabe sobre o que realmente é a Dark Matter (assim como a Dark Energy), o debate científico esta aberto. E é isso que me chama atenção (muito mais que minha incapacidade de estabelecer se o que Barquero divulga é um olhar inédito sobre a questão, ou se ele é um embromador muito bom).

Aparentemente o Gregorio Barquero possui conhecimentos de quântica e cosmologia avançados, mas não é reconhecido academicamente e, visivelmente está floodando seus curtos artigos com essa - repito - abordagem diferente, esquisita, talvez até sem sentido.

Mesmo com a ação um tanto agressiva do bot do Barquero, a postura deste personagem guarda paralelo com caso do recluso - e avesso à badalação - matemático russo Grigori Perelman que “matou a charada” da Conjectura de Poincaré aos 37 anos em 2002 (em um dos episódios do meu podcast Impressões Digitais me arvorei em explicar o que é esta conjectura, como foi o processo meio hippie, meio indie do matemático divulgar seu trabalho, e como seu desdém acadêmico repercutiu nos meados dos anos 2000).

Einstein nunca recebeu um Prêmio Nobel pela Teoria da Relatividade, base para desenvolvimento da mecânica quântica, a qual é um completo contra-senso para a realidade tempo-espacial na escala humana até hoje, o que valida ainda a frase dos anos 60 de Richard Feynman:

I think I can safely say that nobody understands quantum mechanics.” (chapter 6, “Probability and Uncertainty — the Quantum Mechanical View of Nature,” p. 129)

No entanto, a Mecânica Quântica está aí explicando, com excelente grau de acuidade, os fenômenos da nossa percepção ainda restrita da realidade.

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