Uma moeda regenerativa?
Guilherme Lito
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Repoduzo aqui o que escrevi na thread do face (lembro que fui verborrágico… :) sem edições)

Fala, Guilherme Lito, você já conseguiu uma proeza: me fez ler o texto todo!

:D
Pois bem, entendo bem seu ponto e com ou sem “reais” e “rês”, a vontade que você tem de criar novos caminhos e a dedicação que acaba tendo por fazê-los concretos me empolgam também.

:)

Você detalhou o tal “mercado”, meu caro. Aquela beleza onde trocas ocorrem entre pessoas e para qual a moeda tem sido uma das ferramentas bem úteis em mundos diversos e enormes.
Veja que de tudo que vc listou a moeda parece ser o que tem menor relevância. Não é ela quem propicia a produção, o acordar cedo, o mexer na terra, o se deslocar por horas para um centro urbano, o de procurar pessoas interessadas, etc, etc, etc. Ainda que possa ser um dos objetivos de alguem (porque ela é quase que exclusivamente o meia de troca aceito hoje), ela não permite praticamente nada. Quem o permite é o desejo do fazer do outro (ou o fazer com ou sem desejo)

:)

Bem, a sacada, portanto, para que se precise de menos “Reais e de menos Rês” é gerar abundância (porque, enquanto abundante, a tal “demanda” não costuma ter o poder inflacionário sobre o produto

:) )
A sacada é gerar ideias que gerem custo marginal tendendo a zero (a tal carona de produtos, a tal entrega compartilhada, a tal vendedora que já está em contato com outros amigos, o tal “resíduo de produção” (pex: soro de leite quando se produz queijo) , etc, etc, etc. Entende o ponto?

Resumindo: os seus desejos estão mais em direção ‘a boa gestão do que ‘a tecnicidade monetária. Eu torço para que siga pensando em soluções que envolvam “como fazer, como produzir, como trocar (vender), como entregar, como remunerar, como gerar abundância, como reduzir custos, como fazer rede (permitir mais fluxos e não obstrução dos mesmos, e em novos negócios que se pretendem geradores de abundância é fundamental isso)….

Meu caro, talvez você não tenha se dado conta (espero que sim) mas o dia em que você se permitir também o rótulo de “grande gestor” como se permite a tantos outros, creio eu que parte da sua crise existencial (e de identidade, por consequência) vai desapareceer e, sem dúvidas, vai conseguir ainda mais resultados naquilo que pretende como objetivo. Um bom gestor faz uso de todas as ferramentas disponíveis. Um bom gestor tem amplo respeito pela vida, pelo outro, pelo ecossistema que nos faz estar aqui ainda. Um bom gestor não é perdulário, nem com o seu tempo, nem com o do outro. É organizado, não desperdiça. Tenta olhar para as “sobras” como itens de potencial geração de riqueza (recursos). Cria. Inova. Ouve. Faz mais com menos. Tem visão sistêmica. Tenta prever, antever, se preparar. 
Entende o que digo?
Você encontrará mais potenciais atributos geradores de recursos abundantes (portanto, riqueza (lato sensu)) em “gestão” do que em qualquer outra moda, seita, religião, idealismo, ideologia, seja o que for do que há por aí. Você já entendeu a engrenagem e sabe que gestão tem pouco daquilo que aprendemos sobre “pessoa de negócios” e muito de respeito ao ecossistema.

Meu depoimento final:

:) 
As moedas pouco importam. Elas não geram riqueza por si só. Não geram inovação, aprendizagem, etc, quase nunca (sim, bitcoin gera uma inteligência em vários aspectos assim como qualquer “moeda social”, mas espero que entenda o que estou tentando dizer). Elas são ferramentas para facilitar produção, venda e acessórios do tal belo “mercado de trocas” entre pessoas.

Em tempo: o exemplo que deu sobre o cara que financia a produção do outro é perfeito pra esclarecer a função de vários elementos que surgiram pós revolução industrial (e por isso a figura do banco, do capitalista e de tantos outros que surgiram para solucionar problemas de cada época): o cara que consegue uma máquina em troca de uma promessa futura de entrega de produtos em valor equivalente é o mesmo angel que facilita uma startup existir. ´E o mesmo banco que possibilita compra de máquinas e capital de giro para quem empreende. A figura é a mesma e o que muda é a forma de fazê-lo. A beleza, pra mim, está entre as partes envolvidas poderem decidir livremente qual será o acordo tratado sem que alguém entre no meio do caminho como “agente regulador para proteger o outro”.
A beleza está no P2P. Está no Zé das Couves decidir com você quem fica com o que.

no mais, vá por aí trocando. Você sabe muita coisa e espero que seu conhecimento e sua inteligência não sejam abafados por idealismo ideológico e culpas derivadas de grupos que criam pecados para colocar o outro num eixo qualquer.

Bem, é o que tenho agora pra dizer. Manda ver no que quiser e , como amigo, torço para que seja um grande gestor porque potencialmente você já o é.

:)
Abs

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