[5h49]

perambulando pela rodoviária tietê percebo que conheço alguns caminhos os comércios que ainda são os mesmos já faz o que?
7 anos que a gente
virou o dia feito trapinhos
apaixonados depois de almoçar nhoque naquele restaurante que eu esqueci o nome to sem condições de segurar palavras no colo
aquele de pedir montar escolher ingredientes por de trás do vidro
com azeite

doidera
meus romances costumam ter migrações como ligadura dos acontecimentos marcantes rodoviárias estações de metrô
pontos de ônibus
partida e chegada um dos dois sempre
se jogando por aí esperando voltar com
medo de ser a última
vez a gente esquece umas coisas no meio do caminho quando viaja assim toda hora muita gente muita muita
se dormir um pouco é capaz de perder
a mochila
acontece
é assim mesmo
cada fileira de cadeiras azuis grudada no chão um argumento de conto de filme poemacrônica dum sujeito sem teto que
fingia estar de partida passava o quanto pudesse de hora no terminal
escolhendo canto pra dizer que era hora de ir
batia ponto 
os olhares são menos vazios quando você aparenta ter um destino passagem comprada
vai pra minas gerais
tinha uma outra
sobre meus amores de rodoviaria
aquela dos trapinhos era boa mas já narrei demais 
perdeu a cor o afeto numa das estações

pois é
to eu aqui me perguntando o que eu tenho com cenários de transição
é na repetição assim descarada
que a gente se bota reflexivo
lanço aí a questão pra quem quiser traçar hipóteses sobre minha obsessão
saber qual é o fator gozante facilitaria
não sei
um misto
espera saudade locomoção
os dois olhos escorrendo na janela
de plástico espesso
na real
pode ser estético apenas bonito dizer
amores pendulares
etc
medo do que vai ser
se ficar aqui é cômodo ter a distância
pra se queixar do que mofou 
no armário depois de 37 dias
sem ser tocado