Secundaristas em luta constante em Piracicaba
O segundo ato contra o sucateamento da educação pública do Estado de São Paulo aconteceu no dia 23 de junho de 2016

No último dia 07 de junho os estudantes secundaristas das escolas públicas de Piracicaba voltaram a se manifestar nas ruas contra o sucateamento da educação pública do estado de São Paulo. Reunidos na praça do Terminal Central de Integração do município eles decidiram em assembléia (realizada ali mesmo no local) impedir o trânsito da avenida Armando Salles de Oliveira dando uma volta simbólica em torno do Terminal de ônibus gritando suas reivindicações no mega fone para os transeuntes e autoridades ouvirem.
Os dois primeiros policiais que chegaram ao local foram de bicicletas oficiais da Polícia Militar, um deles indagou o mídialivrista da SUP em tom de brincadeira: “como eu me junto pra protestar contra o Alckmin?” — Mas todos sabem … toda brincadeira tem um fundo de verdade.

Naquele dia os estudantes contaram com o acompanhamento da Advocacia Popular de Piracicaba que buscou evitar confrontos dos estudantes com os policiais. A advogada popular Marcela Bragaia disse que é importante o apoio jurídico aos jovens nessas circunstâncias pois sempre podem haver abusos de autoridade, e o direito só é garantido nessas condições com a atuação da advocacia no local ou da defensoria pública que nunca acompanhou nenhum desses atos.
O ato durou mais de três horas no dia 07.06.2016, e a polícia acompanhou em pequeno número de contingente sem confrontos. Os jornais locais demoraram bastante pra chegar até o ato, e alguns chegaram só no final. Nenhum publicou uma matéria coerente com o que aconteceu no dia, todos induziram meias verdades e mentiras inteiras, foi bastante medíocre a cobertura da imprensa local, teve um jornal da cidade que publicou a foto da assembléia como se fosse do ato, e ainda mentiu os fatos como se deram no dia. A postura da mídia local gerou revolta entre os estudantes secundaristas.
“Eles chegam só no final, nem ouvem o que a gente explica e depois publicam de qualquer jeito” reclamou um estudante sobre a imprensa local
“Eles tinham que entender o que está acontecendo antes de reportar qualquer coisa” questionou uma estudante também revoltada com a mídia
“O Governador parece que não existe em nossos protestos para a imprensa, ele nunca é citado, mas é o nome dele que a gente chama sem parar quando pede punição ao ladrão de merenda” indagou ainda outro estudante

No último dia 23 os estudantes não puderam contar com o apoio da advocacia popular, e a polícia resolveu agir de forma mais energética e contundente. Usando de ameaças e agressividade contra os estudantes menores de idade, e acompanhando o ato mais de perto desta vez, interferindo diretamente no trajeto e na organização do ato, eles provocaram os estudantes o tempo todo. Nitidamente sem o preparo adequado para lhe-dar com a situação política do ato, e também com os adolescentes, a polícia gerou conflitos e tumultos a maior parte do tempo, desviando o foco da denuncia dos estudantes.
“Nós estamos protestando contra o sucateamento da educação, o salário dos professores que não sobe, a merenda que está desaparecida a gente ta procurando onde está, tem escola que tem, tem escola que não tem, o Geraldo não está preocupado com a educação está preocupado com o salário dele e dos secretários, nós vamos nos manifestar sim, nós vamos continuar sim”. afirmou um dos estudantes que participaram do ato.
O vídeo produzido pela SUP-Mídia Livre mostra um pouco do que foi o ato do dia 23, e a postura que a polícia militar empreendeu contra os estudantes naquele dia. Mais uma vez a PM mostra porque se ampliam os movimentos que pedem pelo fim da polícia militar.
“Os estudantes secundaristas de Piracicaba das escolas públicas se reuniram em um ato para falar que a gente é contra a falta de merenda que está tendo nas escolas aqui, e do estado inteiro, contra esse sucateamento da educação pública, porque impressoras foram tiradas, materiais básicos não estão tendo, a reorganização foi adiada, mas a gente sabe que está acontecendo de uma forma maquiada, turnos estão sendo fechados, salas estão sendo fechadas”. informou uma das estudantes secundarista que acompanhou o ato.
Durante a realização do ato muitos motoristas se irritaram com a situação, mas o estudantes buscaram esclarecer a motivação do ato e a grande maioria acabou por compreender a medida tomada pelos jovens. Muitos dos motoristas ainda apoiavam incondicionalmente, fazendo questão de buzinar amigavelmente e aplaudir quando passam pelos secundaristas com seus carros. Todos os atos dos secundaristas até hoje na cidade foram pacíficos e sem qualquer tipo de armas ou máscaras.

“A polícia vem pra cima, eles querem sempre repreender a gente, querem tirar nosso direito de expressão, mas a gente tem essa liberdade, e a gente precisa sim voltar as ruas e os espaços públicos lutar”. disse ainda a mesma aluna, que estuda no colégio E. E. Pedro Moraes Cavalcanti — PMC que teve a melhor nota da cidade na prova do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes — ENADE, mesmo assim não escapou da reorganização do governo estadual.
Apesar do desempenho da escola, a E. E. PMC, que fica localizado na região da avenida Dois Córregos, foi uma das quatro escolas que foram ocupadas no ano passado pelos estudantes secundaristas em Piracicaba, sob a ameaça de fechamento de turnos e salas, o PMC estava correndo o risco de começar a deixar de existir aos poucos, mas seus alunos foram atrás de lutar por seus direitos e, impedir ao menos naquele momento o fechamento parcial da escola deles.
Uma aluna da E.E. Mello Cotrim, escola da periferia da cidade e que foi a primeira escola a ser ocupada em Piracicaba, disse que na escola dela apesar da reorganização estar suspensa por ordem judicial, pelo menos duas salas foram fechadas esse ano de 2016 de acordo com o antigo plano do Governador Geral Alckmin. O projeto inicial no ano passado era fechar a escola definitivamente para esse ano.

Parece que os estudantes vão ter que continuar ocupando as ruas para defender seus interesses.
Enquanto isso, na sala da [in]justiça, a pergunta que não se cala por mais que tentem prende-lá e amordaçá-la ainda é: Quem vai punir os ladrões de merenda
Texto: Carlos Canedo — Mídialivrista SUP
Vídeo: Rober Caprecci — Videomaker/Mídialivrista SUP
Fotos: Carlos Canedo/Rober Caprecci

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