O que queriam os punks?

Foto: Alice Vergueiro

Na década de 1970, o rock progressivo, com incansáveis solos de guitarra e bateria, alcançava seu auge e era reproduzido por emissoras de rádio no mundo todo. À procura de um som mais despretensioso, que contrariasse a lógica de mercado, frequentadores da cena underground de Nova Iorque passaram a se reunir na casa de shows CBGB, para tocar e ouvir bandas cuja proposta era outra, fazer um tipo de música mais ágil e simples, resgatando um pouco o rock dos anos 1960. Assim nasceu o punk rock, entre os anos 1974 e 1975, em meio a crises políticas e econômicas. Aos poucos, o novo estilo musical se tornou contestatório, político e socialmente, reuniu adeptos em vários países e se transformou em um movimento de contracultura. O visual agressivo dos punks fugia aos padrões da moda à época. Sua filosofia pregava o “faça-você-mesmo” e sua ideologia era baseada no anarquismo e na subversão. O que eles queriam era a revolução.

“O QUE É ISSO? A REVISTA POP APRESENTA O PUNK ROCK”.

Quando jovem, Fábio Santos, todas as noites antes de dormir, trocava de estações em seu radinho de pilhas à procura de algo que lhe agradasse. Foi então que ouviu bandas como Sex Pistols, The Runaways e Ramones, reunidas em uma coletânea lançada pela revista POP, em 1977. Buscou informações e abriu uma loja de discos na Galeria do Rock, em São Paulo.

Batizada de Punk Rock, a loja de Fábio se tornou ponto de encontro dos fãs do movimento e despertou a curiosidade e identificação do escritor e dramaturgo Antônio Bivar. “Vi aquele entusiasmo e me senti de novo adolescente”. Tamanho interesse levou Bivar a escrever o livro O que é Punk e a organizar o mais importante festival de música punk realizado no Brasil, O Começo do Fim do Mundo. Nos dias 27 e 28 de novembro de 1982, o evento realizado no Sesc Pompeia contou com a participação de bandas punks que fizeram história no cenário nacional e internacional, como Inocentes, Olho Seco, Cólera e Ratos de Porão, além de exposições de fotos, fanzines e filmes.

“O festival acaba sendo o grande evento que lança o punk rock para o público mais geral”, comenta Mao, vocalista da banda Garotos Podres. Para ele, O Começo do Fim do Mundo ainda marcou a busca de unificação e superação das brigas entre grupos punks, principalmente os de São Paulo e da região do ABC Paulista. O produtor e músico Clemente Nascimento, da banda Inocentes, explica que o objetivo do festival era democratizar. “A nossa ideia era chamar todo mundo, não só os caras de São Paulo. Senão, não ia dar um panorama de toda a cena”.

Para celebrar os 30 anos de O Começo do Fim do Mundo, o Sesc Pompeia organizou em 2012, com curadoria de Clemente Nascimento, o evento O Fim do Mundo, Enfim, com shows e encontros de gerações do movimento no Brasil. Depoimentos de músicos e registros do primeiro festival estão presentes no documentário homônimo lançado pelo SeloSesc.

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Redação SescTV

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