Empreendendo em casamentos

Laura Vilela nos conta sobre sua trajetória empreendedora e como enxergou no mercado de casamentos o seu sonho grande

Por Laura Vilela

Avô, mãe, tios, primos e muita gente de uma família tradicional de Poços de Caldas empreendendo das mais variadas formas. Meu avô inventou e patenteou a receita do Requeijão cremoso Poços de Caldas, anos mais tarde trouxe a Danone para o Brasil e então meu vôzinho, aquele fofo querido, era dono de uma das marcas mais consumidas no recreio da minha escola e em todo o país. Eu nasci em uma família de empreendedores. A Endeavor me qualifica como Empreendedor Herdeiro. Nada contra, é a minha história.

Minha mãe veio morar no Rio de Janeiro assim que casou com meu pai, teve três filhos — sou o caçula — e ficou viúva aos 26 anos. O que fazer? Voltar para Poços? Nada disso. Aproveitando todas as oportunidades de ficar no Rio, sua cidade do coração, ela resolveu fazer profissionalmente o que tinha aprendido em casa. Família nobre, muitas recepções, muita etiqueta e minha mãe entendia disso tudo. Com um bom humor e despojamento peculiar, deu certo. Fez os primeiros eventos nas casas dos clientes e logo migrou para o mundo dos casamentos. Empresa familiar é complicada.

Comecei a trabalhar com a minha mãe aos 14 anos e aos 16 já coordenava como cerimonialista um casamento sozinha. Vida correndo paralela a esta “ajuda” no trabalho da minha mãe, fiz faculdade de Pedagogia por ideologia e trabalhei em assentamentos rurais em Goiás. Quando a falta de dinheiro apertava, corria para o cerimonial da minha mãe e lá sempre tinha uma função e uma boa grana para mim. Conclusão: fiquei nessa. Casei, abri com meu marido uma produtora de filmes de casamento — a AG2 Digital — e conseguimos o suficiente para criar nossas duas filhas.

Apesar de hoje, aos 40 anos, poder dizer que entendo muito de casamento e me sinto confortável com esse assunto, esse nunca foi meu tema do amor, esse caráter prático da construção de uma cerimônia seguida de festa, não me move. Nessa crise, oriunda de quem lida com o arquétipo do Empreendedor Herdeiro, que herda algo, gostando ou não, eu fui descobrindo aos poucos que o que me movia naquilo tudo, e por isso fazia tão bem, era a máquina por trás do assunto. A organização do escritório, os sistemas que criava para atender ao volume absurdo de noivas com demandas específicas, as ferramentas que desenvolvia para fazer a gestão de listas de convidados e várias outras coisas era o que me enchiam de energia e motivação.

…eu fui descobrindo aos poucos que o que me movia naquilo tudo…

Com o lançamento do CaseMe, em 2015, que assumi meu lado empreendedora. O eixo da minha relação com o trabalho mudou. Já não era uma especialista em casamento, era empreendedora nesta área. Tinha chegado a hora de entender de marketing, vendas, finanças, storytelling, comportamentos, mindset, gatilhos mentais e outros mil assuntos que nunca tinha ouvido falar. O CaseMe é um site que combina conteúdos, indicações e troca de presentes virtuais por dinheiro. São muitas áreas para coordenar, não dava mais para ser “caseiro”.

Time CaseMe (www.caseme.com.br)

Nessas horas questiono a super valorização de ter uma família empreendedora. Esses assuntos nunca foram discutidos no Natal ou nas mesas de jantar. Muito pouco além de inspiração natural eu ganhei, de fato, com essas convivências no quesito empreendedorismo. Talvez a minha geração fosse menos comunicativa com as crianças. Tenho duas filhas de 16 e 12 anos, e não dou trégua, estou sempre tentando trazer algum conceito empreendedor para elas e tem dado certo. Naturalmente, o pensamento evolui para um formato mais investigativo a respeito da realidade.

Como empreendedora, que me descobri recentemente, anuncio meu novo empreendimento na área, em que ajudaremos orquestras de casamentos de todo o Brasil a obterem partituras com arranjos de qualidade para diversas formações e repertórios. Esse é um mercado muito sofisticado, de muita qualidade, mas que ainda não saiu, na sua maioria, da “casinha”. São empresas familiares, com pouca organização profissional. Muito campo a ser desbravado e melhorado. Me despeço de vocês me disponibilizando para um papo com quem quiser empreender na área dos casamentos.

Edição colaborativa por Rayza Araujo
Laura Vilela

Laura Vilela trabalha há mais de 20 anos com casamento, braço direito da cerimonialista Thais de Carvalho Dias e sócia da AG2 Digital, Laura respira casamento.

“Com a necessidade de criar uma plataforma online para meu negócio, vi uma grande oportunidade em criar um ambiente semelhante para ajudar os casais a organizarem seus casamentos e encontrarem os melhores fornecedores.”

Laura é participante frequente no Encontro Empreendedor, evento que ocorre mensalmente na cidade do Rio de Janeiro, com o objetivo claro de fomentar a cultura empreendedora. Venha conhecer. Confira nossa agenda!