Sobre a Editora Abril e porque todo mundo deveria lamentar sua derrocada
eusouatoa
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Lamentei o fim da fita K-7. Eu gostava de ficar esperando uma música na rádio, e quando ela começava, eu despausava o REC, ansioso. E ficava puto quando no meio da música a emissora falava “Rádio Interativa! Aqui só toca música boa!” estragando a execução da música. Lamentei o fim do LP. Adorava o formato gigante, que mostravam detalhes das imagens dos álbuns do Iron Maiden; passávamos horas estudando cada detalhe das pinturas nas capas dos álbuns. O prazer do barulhinho da agulha no vinil. Aí chegou o CD, e corremos como loucos para refazer a coleção, agora em som digital. Adorava as fitas VHS. Rebobinava e devolvia à Blockbuster. Era um prazer pegar os VHS na 6a. e entregar na segunda. O costume continuou com o DVD. Eu persisti comprando Blurays e Blurays em 3D. Mas aí os fabricantes de tevê migraram para o 4K e eu, com raiva e órfão de tevê em 3D atual, parei de colecionar blurays em 3D. Lamentei o fim do formatinho dos gibis. Era barato, e podíamos ler muito conteúdo todo mês, a gente dava conta de comprar todas as revistas em quadrinhos. Eles lançavam até três histórias num só gibi da DC ou da Marvel. Era ótimo o cheirinho de revista recém-impressa da Editora Abril. Aí passaram para o formato americano, uma história apenas, e o preço mais caro. E aí, uma pá de gente deixou de comprar, pois não tinha grana para colecionar. Aí chegaram os gibis gourmet, todos em capa dura, papel nobre, preço mais alto ainda. Coisa de “apenas” R$ 59,99 uma simples edição. Menos pessoas ainda a comprar histórias em quadrinhos, é claro. Preços altos, e como a edição é de luxo, não tem anunciantes no meio do gibi, como era comum antigamente. Se a revista encalha, o prejuízo é todo só da editora. E assim, vão falindo a Editora Abril, a Saraiva, a DINAP/TOTAL, a FNAC. Além do mais, a mudança do jeito de as pessoas consumirem conteúdo foi mais marcante ainda. Eu amo meus livros, mas moro em apartamento e eles entulham demais. Quadrinhos em formato americano também, CDs e DVDs também… se possível, prefiro ter tudo na nuvem, em formato digital. Hoje até os videogames estão dando um jeito de não terem que distribuir jogos em caixinhas, e cobram mais barato e dão conteúdo extra para quem compra digital. O modelo de negócio da Abril não funciona mais, pois não há anunciantes para as suas revistas. Todos migraram para a internet. Da mesma maneira, a tevê aberta logo chegará ao seu fim também pela mesma razão…