Neurociências e comunicação auxiliando líderes e liderados

Seja para finalizar uma venda, conseguir um novo amigo, falar com seu liderado ou apresentar um trabalho para seu líder, comunicação é essencial. E é importante que nós, líderes e liderados, saibamos artifícios para torná-la ainda mais efetiva e interessante dentro do que fazemos e esperamos. Para além das regras de postura, etiqueta, gramática e oratória, existem mecanismos mentais que podem colaborar muito para que possamos interagir melhor com outras pessoas, e os conhecimentos da neurociência têm avançado em descobrir esses mecanismos.

Não aos excessos!

Independente do que você quer comunicar e por que meio o faz, os excessos sempre serão potenciais ruídos (a menos que a intenção seja justamente chocar pelo volume de informações) e uma de suas formas mais comuns está na falta de objetividade (excesso de devaneio) do comunicador, que gera uma transmissão longa demais, perdendo a atenção e o desejo de consumir aquilo por parte do destinatário. Imagine um líder que manda um email de 1000 palavras para dizer “Amanhã não irei ao trabalho, então revisarei seu relatório no dia posterior” ou um liderado que faz um arrodeio lendário para comunicar algo ao seu chefe. Incômodo, não? Muito! E além disso, é ineficiente. O risco é grande da informação central não ser captada como deveria, gerando consequências posteriores como perca de produção, erros em atividades importantes, brigas e mal entendidos.

Por este mesmo motivo palestras e aulas monótonas geram fadiga e sono. A organização mundial TED, por exemplo, entendeu isso e trabalha com palestras dinâmicas e de até — em média — 18 minutos porque, comprovadamente, esse é o tempo médio que nosso cérebro consegue se manter atento a um assunto. Como diria João Batista Ciaco no seu livro “A inovação em discursos publicitários”: “o excesso se iguala à insuficiência”.


Dica:

Faça um roteiro (mental ou escrito) do que deseja comunicar, escreva na intenção de ser objetivo e revise seu comunicado (caso haja possibilidade) se perguntando “Como isso pode ficar mais objetivo e claro?”


Inove na forma de comunicar

Já percebeu o barulho que sua geladeira faz em casa? Não? Isso é porque a repetição da audição do barulho dela faz seu cérebro simplesmente ignorá-la. Por causa disso você notaria a ausência do barulho da geladeira, e não a presença (tipo “tem algo estranho aqui, mas não sei o que é!” quando desliga ela). Isso acontece também quando há repetição das formas de nos comunicarmos também. Nosso cérebro “cansa” e começa a filtrar o que recebe em busca de algo novo e, na comunicação entre líderes e liderados, isso exige de nós um esforço em não ser mais um disco arranhado, repetindo as mesmas velhas coisas sem sair do lugar.


Dica 2:

Pequenas mudanças já geram grandes resultados. Experimente mudar a forma de abordagem e variar coerentemente o tom e o volume de sua voz, por exemplo.


Comunicação emocional

Compare um comercial de TV puramente técnico com outro com conteúdo emocional: qual engaja mais? O emocional, e isso nos atrai porque impacta diretamente no sistema de recompensas do nosso cérebro. Nosso cérebro vive buscando recompensas (isso baseia muito do que sentimos e fazemos) e se sentir acolhido, emocionado ou tocado atrai ele, mas essa mensagem emocional deve, rigorosamente, estar calcada numa base racional. Não pode ser sentimento por sentimento, sem conteúdo que seja relevante para o destinatário da mensagem.


Dica 3:

Experimente elogiar coerentemente seus liderados e líderes e agregar valor emocional ao que faz/vende/projeta. Se inspire em campanhas publicitárias de marcas amadas pelo público (lovemarks).


Toque (ponderadamente)

Nossa atenção decai gradualmente durante uma conversa, por isso temos que ter truques na manga para não perdermos a eficácia da nossa comunicação. Uma das estratégias que podemos usar é a do toque. O toque é um costume algo que perdemos muito o costume de realizar com outras pessoas ao avançar dos anos, e por isso se torna surpreendente para o nosso cérebro receber um estímulo desses.

Uma grande observação: Toque excessivo gera afastamento e agonia, então toque moderadamente, pois ninguém é touchscreen! :P


Dica 4:

Tente, no meio de uma conversa, tocar levemente a pessoa com quem você está falando após alguns minutos de conversa. Isso vai trazer a atenção dela toda de volta para você.


Dica especial: as palavras mais doces

Se você está no meio de uma multidão e ouve alguém chamar seu nome, imediatamente você fica de alerta, procurando quem foi, não é? Isso porque nosso nome é um gatilho mental (informação que tende a chamar a atenção do nosso cérebro) muito poderoso. Se você, ao falar com uma pessoa, usar o nome dela de maneira coerente, ela tenderá a focar muito mais no que você está dizendo, e isso é uma margem muito interessante para que você possa “vender” sua ideia, comando ou conteúdo a ela.

Além de nosso nome, há outras palavras doces que são pouco faladas: uma delas é o nome de nosso empreendimento ou da empresa que trabalhamos. No meu caso, se alguém disser “fora da caixa”, independente do contexto, logo vou dedicar minha atenção a ela.