LEMBRA DE MIM

OS RELATOS SÃO EXTRAÍDOS DOS DIÁRIOS DA ÉPOCA

Dois dias depois eu começaria meu relato assim:

Tô um pouco chateada, a minha mãe me disse coisas que me doeram. ( Anotações e frases completas e sem alteração de vocabulário, retirada do diário)

A Sheila adolescente pode não ter anotado para esquecer, mas eu ouvi estas palavras por mais de 10 anos, então eu sei de cor, eram coisas como:

Você não pode terminar, você não é mais uma menina, já vai fazer 19 anos Sheila. (Eu era uma menina sim)

Você não pode ficar sozinha. (Por que não podia? Eu não queria me casar)

Mas talvez a pior e clássica de tão repetida:

Você TEM q tentar!

A Sheila adolescente obedeceu a mãe e não terminou.

Mas xinguei o primeiro namorado forçado nas páginas do diário. Ele queria me mandar . Quis me proibir de ir à um baile com as minhas amigas. Disse não por mim. Como se eu não tivesse voz e um homem respondesse por mim.

No domingo que saí com minhas amigas, ele achou ruim e por último ele me proibiu de falar com o amigo 2, meu melhor amigo. Obedeci tanto à ele, que à noite liguei para o melhor meu amigo e nós conservamos No diário eu escrevi que falamos de amor.

Ninguém nunca mandou em mim e não vai ser o primeiro namorado forçado que vai mandar. Nem quem eu amei ou quem eu amo hoje, como nunca amei antes, mandaram em mim não vai ser ele que fará isto. Eu acho que vou me divertir muito às custas dele. ( Anotações e frases completas e sem alteração de vocabulário, retirada do diário)

Que orgulho da Sheila adolescente eu senti agora!

Segundo uma tia minha eu nasci feminista. Desde de criança já era assim.

Finalizei o dia escrevendo a frase abaixo:

Sabe Diário, eu tô um pouco indecisa no que fazer em relação ao garoto do olhar triste.

( Anotações e frases completas e sem alteração de vocabulário, retirada do diário)

E depois escrevi um poema.

Eu podia ter obedecido minha mãe, ia continuar com o namorado forçado. Mas no poema meu coração disse o que eu o realmente queria.

Trilha do Conto:

No dia 20/11/91 há um relato. Eu não consigo lembrar o que tinha acontecido, mas machucou de verdade a Sheila adolescente, tanto que não há detalhamento vou apenas reproduzir:

Eu não queria mais falar do garoto do olhar triste, mas não dá, ele não sai da minha vida.

Eu tô triste, minha mãe me disse umas coisas que fizeram meu peito doer, meu coração ficar desesperado e me deu uma vontade louca de chorar.

No jogo de fazer raiva o Mal ganhou de mim.

Mas foi uma vitória rápida.

Eu não sei ainda o que eu vou fazer, mas Deus vai me ajudar.

( Anotações e frases completas e sem alteração de vocabulário, retirada do diário)

Desculpe leitor por não poder contribuir com mais informações. Minha memória é ótima sim para o passado, mas ela retém mais o que foi bom. Situações ruins e ainda sem nada mais detalhado, raramente lembro-me.

Continuei contando como foi meu dia, que havia ligado para o primeiro namorado forçado. Que ia levando aquele namoro.

Falei também que tinha ligado para o amigo 2 e tinha ouvido a voz do garoto do olhar triste pelo telefone, mas que eu queria muito mais…

Disse que a festa de despedida de solteira da minha amiga havia sido na minha casa. Eu fiquei muito feliz em ver as minhas amigas do início da adolescência todas juntas comigo e o quanto eu as amava.

Ah! E com a festa em minha casa eu tinha conseguido mais um motivo, para não encontrar o primeiro namorado forçado

Abaixo o poema escrito no dia 19/11/91

LEMBRAR DE MIM…

Lembrar de mim…

Será que você ainda se lembra de mim?

Se lembra da pessoa que você amou?

Será que você ainda se lembra de quem fez seu coração bater mais forte,

suas mãos gelarem e as palavras sumirem da mente?

Será que você ainda se lembra

de quem te fez sorrir e te fez chorar?

Será que você ainda se lembra

da garota que te fez perder o orgulho,

sonhar sem censura,

e imaginar um futuro?

Daquela que, depois,

te fez sofrer?

Será que você se lembra

de quem foi um pedaço da sua vida?

Ah! Lembrar de mim…

Como eu queria isso…

Que você se lembrasse de mim.

A vida passou…

É lógico! A vida iria passar.

Hoje, sou eu quem quer seus beijos,

sou eu que sinto os calafrios, os arrepios.

São as minhas mãos que gelam.

As palavras somem da minha mente.

Sou eu que sinto todas as emoções;

com uma única diferença:

você não está comigo.

Foi tudo de repente,

você veio e se foi tão rápido…

Mas eu te amei.

Te amei?

Como posso dizer que te amei,

se o que eu mais quero

é que você se lembre de mim?

É tão difícil acreditar que o meu garoto do olhar triste não é mais meu.

Que não sente a minha falta, que não me quer.

Você não sente mais nada por mim.

Nada!

Acho que é isso que sou para você agora.

Eu só queria que você pudesse se lembrar de mim.

Isso é meio difícil,

Você não se lembrou

nem dos meus sentimentos.

Devo estar longe

de ainda ser sua garota sensível.

O que você tem feito a mim, nem uma pedra resistiria.

Lágrimas, tristeza e amargura são o que eu sinto hoje.

Mas, apesar disso,

eu ainda sou capaz de sonhar

que você vai se lembrar de mim.

Eu não esqueci de tudo de ruim que te fiz,

mas também não esqueci de todos os momentos bons que passamos.

Não esqueci o quê vivemos.

Acho que é por isso,

que é tão difícil acreditar

que você não se lembra de mim.

Não há como entender

os carinhos que você me fez,

as palavras que você me disse

e suas ações agora.

A única coisa que vou poder dizer é que nós poderíamos ter sido felizes,

se tivéssemos tentado.

Mas você não quis.

E, se hoje eu digo o que estou dizendo,

é porque eu quis tentar.

Para dizer a verdade,

eu ainda não desisti de acreditar,

que um dia você vai se lembrar de mim.

Continua…

Sheila Verônica de Oliveira

Publicando aqui contos escritos a partir dos meus diários da adolescência e juventude e poemas do livro Nenhum Conto de Fadas. A qualidade é duvidosa, já aviso.

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