A inquisidora Internet

Eu trabalho escrevendo. Cada toque, linha e inspiração que despejo sobre as teclas concorrem com milhões de textos publicados diariamente na rede. Tenho que ser ágil, pois minha palavra é trabalho, minha labuta tem preço e eu preciso sobreviver. Para ter êxito eu tenho que escrever bem e rápido.

Esse texto tem que ser atraente, diferente, inovador — Empático a ponto de atrair ainda que a posição do leitor seja dissonante ao meu argumento. Ele tem que gostar do meu texto em meio a tantos outros, tenho que fazê-lo refletir, seduzi-lo, captá-lo, atraí-lo com uma finalidade: obter êxito na comunicação. Ele tem que me ver.

Comunicar parece fácil e acessível. Comunico nos jornais, onde disputo atenção com foto, propaganda colorida, casamento do ano, separação de casal 20, namorada de velocista que se foi. E tem noiva. Comunico em veículo especializado, no qual suponho ter audiência cativa.

Não falo para poucos. Não falo pouco. Eu falo é para muitos, sempre quis ser assim.

Jornalista fala na TV, no jornal, no site, no podcast e compartilha na sua rede pessoal para ganhar likes dos amigos, visibilidade. Sendo escritora e jovem, quero/tenho que estar no jornal impresso, no online, no Facebook, no Twitter, no Snap e no LinkedIn. Tenho que ser culta e jogar Pokémon GO. Sou a mídia e tenho que ser midiática. Em meio a tantos textos de autoajuda concorrendo com minha audiência, me pergunto se tenho que ser alguma coisa, afinal a corrente que vigora nas redes é a do “não sou obrigado (a) a nada”.

Eu falo o que eu quero. Eu faço o que eu quero. Eu posso até voltar atrás, mas não sem passar incólume pela bancada inquisidora da Internet.

Toda audiência que se constrói com a Internet vira faísca em questão de segundos, vide Bel Pesce — A menina do Vale — que para mim sempre valeu muito e hoje, há quem diga, vale menos ou vale nada.

Com este texto que você lê, por exemplo, ganho o mundo ou me arruíno. Mas se faço uma live e me justifico, viro case de sucesso. Ou não. Na “vida real” construo minha reputação com atitudes; na Internet, crio minha reputação com palavras — sempre elas — e imagens. Dependo da sua interpretação.

Vivemos em um tempo em que o jovem é tachado de superficial, pois adquire personas de acordo com a rede social em que frequenta. No Twitter reclama, no Facebook é família, no Instagram é rico, sensual, prendado e atraente. No grupo de Whatsapp — rede social? — da família dá bom dia. No outro grupo, manda nudes. Acredito que sempre tenha sido assim. Afinal, quem é o mesmo no bar e na sala de jantar com os avós?

Na Internet paga-se o preço pela sinceridade, mas ganha-se a almejada visibilidade pela ousadia. Já parou para pensar o quanto você quer pagar nessa rede? Pensa bem. Pensa com carinho. A resposta pode ser a sua reputação.

Reinventa-te como a lagarta: “Onde tudo parece ruína já é construção”. Inverte a lógica de Caetano