Agora só se fala nisso?

Ilustra by http://camilarosa.net/

E aí, fofuras! Tudo em cima?

Na maioria das vezes que nos sentamos para escrever a newsletter da Shoot The Shit, passamos a semana inteira pensando sobre o que vamos falar. Algo em mim sempre diz que é preciso discorrer sobre nosso trabalho aqui, nossa rotina, nosso relacionamento com a comunicação. Mas, honestamente, raramente isso acontece tão secamente. Por um lado, o fato de sermos apenas seis faz com que tudo seja vivido mais intensamente, mais intimamente, como se nossa vida pessoal e o trabalho se entrelaçassem. Somos muitos próximos uns dos outros, compartilhamos absolutamente tudo sobre nossas vidas — claro, uns mais, outros menos. Mas viver isso no ambiente de trabalho é tão raro, tão rico, tão bacana, que acredito vir daí a vontade de botar pra fora o que sentimos.

Contextualizados, continuemos. Existe algo em mim que tem estado muito presente: o feminismo. Sabe aquela frase “once you see it you can’t unsee it”? É tipo isso. Hoje eu acredito que é impossível para uma mulher não ser tocada com o feminismo, não se questionar, não olhar pra si, para o outro, para o todo. E nesse movimento, procuro ler, refletir, dialogar com mulheres próximas a mim sobre o universo infinito que é ser uma mulher, viver em um corpo de mulher, trabalhar como um mulher, se relacionar, se posicionar, se expressar. O feminismo, pra mim, é a nossa revolução, mulheres. O feminismo, pra mim, é a grande virada, a maior transformação comportamental como seres conscientes, homens. O feminismo é libertação. É o movimento mais feminino que podemos fazer nas nossas vidas. É sermos nossas melhores amigas. É potencializarmos umas às outras. É o mais importante despertar.

Assistindo uma palestra de Clara Averbuck, despertei para o fato de que somos mulheres sempre à prova. Lendo Hilda Hilst e Ana Cristina Cesar eu mergulhei nas entranhas do feminino artístico que transpõe em palavras o que sente, sim, mas também o que cria, a luta pela expressão livre, muito além das rotulações vis. Ouvindo Elxa Soares, Gal Costa, Maria Bethânia eu entendi o furacão que se monta no nosso mais profundo íntimo e a capacidade de absoluta força que se constroi e reconstroi. E Rita Lee, pra lembrar que essa força ainda vibra na inteligência da sátira. Lendo relatos em grupos no facebook, em tuítes, em blogs foi que encontrei as palavras que perdi nas discussões que não soube me expressar como gostaria. Na observação incansável das mulheres que me rodeiam, eu redescobri a empatia, a sororidade, a nossa inabalável potência juntas. E chegando aqui eu só sei que quase nada sei. Só sei que preciso olhar mais pra mim, para elas, estudar, refletir e trocar. De novo e de novo. E todas as vezes necessárias.

Aqui na Shoot, eu tenho o prazer de dividir essas descobertas com uma dessas mulheres incríveis, a Dai. Juntas, ocupamos o espaço feminino aberto pelos guris da empresa no anúncio especificamente divulgado. E lado a lado a outras mulheres incríveis, compartilhamos o dia a dia de trabalhar em uma casa colaborativa, convivendo com o universo masculino que compõe cada empresa. Eis nosso desafio: esse despertar para situações banais da rotina, aquelas que sempre nos incomodaram em um mundo machista e patriarcal, e transformá-las em novos comportamentos, verdadeiramente mais atentos, mais respeitosos. Assim como, trabalhando com comunicação, essa luta se estende também ao que desenvolvemos como profissionais e deixamos de legado para o mundo.

Chegando aqui eu me sinto no compromisso de transmitir isso nessa newsletter para quase 2 mil pessoas. Mulheres, redescubram-se. Olhem-se. Toquem-se. Vamos descobrir o feminismo juntas. E homens, ouçam. Conectem-se com o feminismo a partir das mulheres que os cercam. Observem mais e opinem nada. Mulheres e homens, ninguém mais está imune. É tempo de ouvir. É tempo de repensar. É tempo de transformar. É tempo de sensibilidade. É tempo de notar o machismo nas mais “vãs” atitudes diárias. É tempo de revolução.

“Agora só se fala nisso”. E não tem caminho de volta.

p.s: links, livros, percepções suas sobre o feminismo? divide comigo: manu@shoottheshit.cc

Esse texto foi escrito pela Manu e enviado para quem segue nossa newsletter no dia 024/08/17.
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