Maternidade é Pretérita Imperfeita e Subjuntiva
Estou convencida de que, se maternidade fosse um verbo teria apenas um modo de conjugação: o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo. Apenas para exemplificar aos que, como eu, já se esqueceram dos tempos verbais: Seria mais fácil se as pessoas julgassem menos e colaborassem mais!
Peço licença à língua portuguesa para me apropriar à minha maneira de algumas de suas definições… que na maternidade ficam absolutamente indefinidas..
Bem, vamos lá. O pretérito indica uma ação que aconteceu antes do momento em que se fala, ou seja, no passado. Imperfeito pois essa não se limita a um tempo específico, começou, mas ainda tem continuidade e o modo subjuntivo é utilizado para indicar um fato incerto, exprime condição, incerteza e dúvida; expressa acontecimentos possíveis mas dependentes de outros.
A maternidade pretérita, por ser afetada por tudo que aconteceu na história pessoal e familiar de uma mulher, mas que se presentifica a cada gestação e com o nascimento de cada filho(a). Imperfeita, não como oposição à perfeição, que logicamente não existe, nem um modo ideal de ser mãe, nem o tal do amor materno inato. É imperfeita porque é um constante-vir-a-ser, é um tornar-se infindável. E é subjuntiva porque depende de vários outros acontecimentos, para além do desejo, ou não, de ter um filho. Tudo o que cerca a mulher-mãe — companheirx, famílias de ambos, ser mãe sozinha, condições sociais e econômicas — afetam sua forma de maternar.
Maternidade é Pretérita Imperfeita e Subjuntiva. Não a conjugue no Imperativo!
