Bagunça

Edredom preto, quarto bagunçado. Teus pais sabem que tu moras desse jeito? O chão tomado de garrafas de bebida, cinzeiros por toda parte. Combinava com tua loucura aquele caos ali presente. Levantei, acordado pelo sol entrando pela fresta. Merda, aquele raio de luz parecia entrar direto no olho para foder com a retina, e enterrar uma adaga no cérebro. Pra variar, estou atrasado. Não que eu me preocupe com isso,mas é bom registrar. Nessa minha fase desregrada até meu emprego é confuso. A única coisa que sei é que devo fotografar um protesto, apanhar um pouco da polícia e vender as fotos. Coisa simples. Mas esse teu edredom preto me engole, tu me engole, o momento me engole. Só quero estar ali, contigo. No caos que anda minha vida, te ter caótica é reconfortante. Me lembra que não estou sozinho no mundo. Que a minha loucura não é unica. Te beijo, com carinho e safadeza, enquanto o uísque ainda corre nas nossas veias. Caralho, esse é o melhor momento da semana. Mas sou péssimo em aproveitar momentos. Muito preocupada com meu horário, começa a gritar sobre alguma toalha molhada em qualquer lugar. Me faz sair para cumprir o dever fotográfico, jogando minhas roupas pela janela. Sempre tão carinhosa, tens mesmo que ir à merda.