Queens, Nova York

Queens, subúrbio de Nova York. Pessoas das mais variadas feições caminham rápido, com pressa e com frio. De suas bocas e dos letreiros nas ruas percebemos o idioma universal — que não é o inglês, mas o mosaico diverso de línguas faladas no planeta. As inscrições em grego na fachada do restaurante. Na loja ao lado, a TV ligada num canal paquistanês — provavelmente passando as notícias locais e não os preconceitos ocidentais. Na calçada, mulheres caminham falando em chinês. Na praça, meninos jogam futebol gritando num idioma irreconhecível.

Entramos numa espécie de padaria para comer. O atendente, mexicano como milhares no Queens e milhões nos Estados Unidos, vem puxar papo. Mora a duas quadras dali. Fala sobre a confusão que é Manhattan e a Times Square. Como é a vida nos EUA? A resposta, acompanhada de um sorriso resignado: “Não vejo a minha família há seis anos, sabe como é…”

O que terá passado para chegar até ali? Quanto dinheiro perdido para os coiotes? Como venceu a fronteira — com o deserto, o rio e o muro? Será ele mais um dos heróis ilegais do mundo desenvolvido? É hora de ir. Damos adeus ao trabalhador, com a certeza de que não o veremos mais. Mas na torcida para que ele reencontre sua família: seja em Nova York, com todos também tentando ganhar ali as suas vidas; ou no México, na sua terra e próximo da sua gente.