Entre Assentos e Bancos

Minha cátedra de angelim gélida de frente para o quadro negro. As gotículas de saliva do professor contra a luz formando uma arco-íris tosco e nojento no qual prestava tanta atenção na física das luzes por detrás daquele caquético vício.

Olhava para cima e via os ninhos dos pardais com os pais revezando na caça e cuida dos pequenos e indefesos bacurizinhos, melancólico era o dia quando um deles cai de lá daqueles ninhos de capim do terreno ao lado das salas, seu pios, as manchas brancas que faziam seus dejetos alvos que caíam a todo momento nos buracos do chão da sala, iluminados com a luz da aurora das 7h da manhã em meio a gritos e conversas imaturas daquelas crianças de uma 4a série perdida.

A professora deveria ter feito estoque de analgésicos e feito muito gargarejo com mel e gengibre para lidar com a turma que nas palavras da coordenadora pedagógica, "quase a matou" de tanta dor de cabeça, é isso que eu almejo, mas nem ligo. Até hoje tenho medo dela.

O preço do meu silêncio durante anos naquela peregrinação de sala em sala anualmente, naquela monotonia sem precedentes na face do mundo…Melancolias e lembranças opacas que me povoam em uma época em que uma fuga se tornou constante, sabe, eu corri e corri... (suspiro abafado) e ainda continuo fugindo.

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