P.A.I

Incertezas desesperadas de uma alma pertubada. 
O que me atormenta e lateja é um questionamento que já devia-me ter passado pela cabeça em alguns daqueles momentos em que ficava sentado no dicotomo de um paricá em vermelho sangue vistoso, estrategicamente locado no canto [das angústias] do colégio, só isso o frequentava. Os momentos eternos dentro de quinze minutos antes da campainha tocar e voltar a sentar na minha cátedra de angelim de frente ao quadro, percebeu a monotonia? Vivemos em mundo em que as vidas passam em instantes diante dos nossos olhos o tempo todo, e onde tu esteves? meu fundamento que permitiria-me a alegre notícia de que dele escriturei a minha gênese? tinha o desejo de seu afago, uma ânsia do abraço, um cheiro que nunca tive, respirar o aroma e exalar as sensações sem me sentir culpado.

Onde tu esteves no dia em que me aplaudiram como prodígio e me humilharam como a mais rejeitada das criaturas?

Eu supliquei uma vez, mas um dia abafei os meus gemidos, já não me fazia ouvir, quieto, silêncio. Foi rápido como o adocicado se esvai despercebido da amêndoa do cacau que me fizestes soltar em banho de poeira ao distanciar-se em pôr-do-sol das seringueiras.

Meus problemas tornaram-se fúteis que nem sequer os menciono, meu olhar se tornou vazio pois a esperança de um dia me afogar em seus braços escorreu com as lágrimas desperdiçadas.

Deus sabe em quem procurei e o quanto erro em ainda tentar encontrar alguém a altura do que aos doze dias de agostos vividos aparentam merecer.
E antes que o coração petrifique sem retorno, deixo minha lembrança mais sincera que tu nunca ousastes perceber: a quanto tempo, e a chuva continuava a cair, suas gotas a reverberar no breu dos meus olhos inocentes em fundo de rede, a diversão havia acabado e da casa da minha avó você me pegou nos braços, eu parecia-lhe tão leve, colocastes sem dificuldades no seu ombro e aconcheguei-me, o calor reconfortante, o senti uma vez! seus passos firmes pisando nas poças de água me levando para casa mergulharam-me em um êxtase momentâneo, um ser pródigo como eu que ainda não havia feito nada de errado, sem perceber começava a despir-me da esperança de um dia poder senti-lo novamente.

Ainda assim, foi como se eu recebesse seu perdão, não me tire nunca de lá! Mas deixaste-me, e a cada passo dado, soltei peças: a admiração como homem, a alegria de te ver chegar em casa depois do trabalho, sujo da terra (prova inequívoca de seu esforço), o empenho em ajudar-lhe, a obediência em ser-lhe útil , o sorriso quando encarava-me, o brilho no olhar ao vê-lo vindo em minha direção. Mas tu permitites que eu condenasse o que de mais verdadeiro e sincero palpitava no meu coração, meu amor. Rejeitou-o sem misericórdia e cuspiu com desdém de fazer-me sentir nojo, desprezo, ódio.

Nunca superei sua falta, o vazio imenso que deixastes dói como a mais pérfida ferida. Clamei e supliquei como se fosses minha última chance de salvação, mas as lágrimas que me fizestes derramar por conta do silêncio ensurdecedor foram as mais fortes punhaladas que recebi. O que fizestes comigo? Perdi-me na escuridão ao tentar buscá-lo, e permiti os monstros levianos preencherem o vazio que em mim deixastes, cada um me enganando e ferindo a sua maneira, aqueles de quem deverias me ensinar a defender, e foi para eles que ofereci o carinho que desprezastes, foi então que desejei não ter nascido.

O que não permite julgá-lo pelos seus crimes? A sentença, já dei-lhe a muito tempo, prefiro o silêncio.

Suspiro em ainda procurar-lhe, se ao menos terei sucesso? trata-se, pois, de um garoto perdido e que ainda não quer ser encontrado.

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