Uma aula de simplicidade e humildade — Baseada em Fatos Reais

Rio de Janeiro, 3 de Dezembro de 2015.
Era uma tarde nublada e chuvosa de uma quinta-feira. Nessa época eu era funcionário de uma rede de drogarias conhecida no Rio de Janeiro. Nessa ocasião, eu conheci duas venezuelanas. Aparentemente, estavam bem vestidas. Estavam de passagem pelo Brasil e decidiram fazer compras ali. Compravam shampoos, condicionadores, sabonetes, desodorantes, enfim, esses produtos de higiene básica e medicamentos. Ate aí nada demais, são só mais duas turistas estrangeiras.
Vi que elas compravam vários produtos, de tudo um pouco, e a cada produto que encontrava era uma vibração seguida de alegria e felicidade. A impressão que eu tive era de alguém que parecia (ou realmente) nunca tinha visto aquilo na vida dela. Entre um produto e outro eu as ajudava, sempre solícito.
Isso em um momento despertou a minha curiosidade (sempre fui curioso, desde criança). Então, nessa hora eu perguntei a uma delas qual a nacionalidade (desde já atento ao sotaque latino delas). Responderam simultaneamente que eram da Venezuela. A curiosidade foi se aguçando, afinal eu já companhava nos noticiários a situação caótica dos moradores daquele país que passava (e até hoje passa, em pior estágio) por uma crise de abastecimento. Perguntei se as notícias daquele que país que são mostradas pela mídia e pelos sites de notícias daqui são de fato verídicas. Elas confirmaram a situação e confirmou o que eu já imaginava. Os olhares delas ao explicar davam a entender que aquilo era pior e mais grave do que se imaginava. Diziam sobre a falta de praticamente tudo nos mercados e farmácias e me contou um pouco sobre as longas filas que se faziam todos os dias.
A veracidade delas se fazia definitivamente real quando uma delas conseguiu comprar caixas de um remédio pra pressão alta e a mesma se sentiu aliviada por conseguir isso. Antes de passar no caixa pra pagar a compra, uma delas me mostrou a mala que elas carregavam, cheia de produtos que compraram aqui e levariam ao voltar ao país e me confessou que a mala de um outro amigo delas também vai cheia de produtos. Era o equivalente a uma compra de supermercado pra fazer estoque pra durar um certo tempo.
Em seguida elas foram embora dali, mas antes me agradeceu pela atenção dada, e eu mandei saudações e desejei força pra eles. Em seguida o coração chegou a apertar. Doeu em saber que elas precisaram fazer tal coisa pra poder não faltar nada pras duas. Doeu em saber que muitos outros não tiveram a mesma sorte e não poderão fazer o mesmo. pra não passar necessidade. Confesso a vocês que tentei ser o mais forte que eu pude ser várias vezes no caminho pra faculdade e na volta pra casa, mas antes de dormir, os olhos literalmente se encheram de lágrimas ao voltar meus pensamentos a esse povo que sofrem e sentem na pele o que é esse câncer disfarçado de regime governamental chamado Bolivarianismo.