Temos que falar sobre rádios

Em meio à mais nova polêmica envolvendo o Sr. Di Genio — a denúncia que sua Unip, bem como a Uninove, vêm constantemente cometendo diversos crimes com o intuito de fraudar o Enade — lembremos de mais uma de suas peripécias, a Mix FM.

Di Genio. Fonte: Google Imagens

Para quem não conhece, a Mix FM é uma rádio que apareceu no dial paulistano na década de 90. Seu diretor desde a fundação, é o mesmo Marcelo Braga que havia comandado a Transamérica e a Metropolitana até então. Esse diretor tem um estilo bem peculiar, seu principal cacoete em todas as rádios pelas quais passou, é aumentar o pitch de todas as músicas e editar as mais compridas com o intuito de abrir bastante espaço para os intervalos comerciais. Aparentemente, Braga acha que pode alterar como bem entende as músicas que artistas e produtores levaram anos estudando para criar, em nome da lucratividade.

Marcelo Braga. Fonte: Google Imagens.

Aumentar o pitch e picotar uma música por exemplo, do Ed Sheeran ou Drake é relativamente simples, o número de nuances, notas atingidas e cadência não ficam tão adulterados. Mas ainda no pop bem pop mesmo, que é o nicho da Mix, mesmo artistas como Kate Perry que já têm um tom de voz mais alto, ficam bem insuportáveis com esse novo tom acima proporcionado pelas alterações de Braga. Um claro desrespeito ao ouvinte e ao artista pois desafina, distorce e descaracteriza uma canção. Tudo em nome do lucro e de construir uma identidade, coisa que a Mix e Braga souberam fazer bem. A programação gira em torno de 30 ou 40 músicas apenas (a maioria claramente jabá) e tome repetição. Se é a música “de trabalho”, chega a repetir a cada duas horas por exemplo. A rádio não tem um norte, não tem função social, comprometimento com causas. Tem apenas 2 propósitos: dar grana e servir aos delírios autoritários dos Srs. Di Genio e Braga. Sabe-se lá qual o “toque Di Genio”, que o fez conseguir a concessão do 106,3 MHz e das outras frequências que detém, mas seu poder político provavelmente aumentou com essa aquisição. Outro grupo universitário que tem rádio é o Laureate, estrangeiro, quer saber qual é a rádio? A história é misteriosa, mas acompanhe o textão…hehehehe.

Mistérios nas concessões da Grande São paulo não são uma exclusividade da Mix e do Di Genio. Que tal, usando apenas o poder de observação — ou melhor, audição — já que essas concessões, mesmo públicas, são um troço difícil de reunir informações, cutucarmos um pouquinho esse vespeiro?

Há anos ouvimos a ladainha de que não há mais espaço disponível no FM de São Paulo, mesmo a tecnologia PLL estando aí há ao menos 20 anos, reduzindo drasticamente o espaço necessário para que o sinal de uma frequência não interfira no outro. Se hoje você consegue caminhar na Paulista ouvindo FM minimamente, deve ao PLL
Mesmo assim a ladainha da falta de espaço continua sendo propagada como verdade absoluta. No entanto, a Família Saad conseguiu nesses 30 anos, ao menos cinco frequências FM: 90.9, 92.1, 92.5, 96.1, 96.9…Acuma? Cinco? Cin-co! O que a Abril é na mídia impressa e a Globo na televisiva, a Bandeirantes é no rádio.

O grupo Bandeirantes de rádio é a maior potência, mas não a única. O GC2 por exemplo, é outra potência, dono da 89 FM, da Nativa FM e da Alpha FM. O proprietário, José Camargo, está por aí conseguindo e renovando concessões através dos estreitos laços que mantinha com o governo militar, ainda na ditadura. Já que mencionamos a Alpha FM, de propriedade do Camargão, outro grupo forte por aqui é o obscuro CBS, atual Rede Mundial de Comunicações, cujo dono é o famigerado Paulo Masci de Abreu. Kiss FM, Top FM — líder de audiência na Grande São Paulo, Mundial FM e muitas outras, pertencem ao grupo. Mas o que a Alpha tem a ver com isso? Durante um período nos idos de 2000, a Alpha era atribuída como sendo de propriedade do CBS de Abreuzão. Depois, de repente, voltou pro Camargão. O mesmo ocorre com a Nativa que diziam ser uma joint-venture com a própria Bandeirantes. Vale ressaltar que todas as emissoras do Camargão, Abreuzão, e da Família Saad, ocupam o mesmo prédio na esquina da Paulista com a Augusta, nº 2198/2200. Já estive algumas vezes nesse prédio a trabalho, é literalmente uma torre de babel radiofônica, não se sabe onde começa uma emissora e acaba a outra, onde começa um grupo e acaba o outro.

Masci Cara de sonso e apetite voraz. Fonte: Meio & Mensagem.

Outro grupo integrante do mesmo prédio no número 2200 da Av. Paulista é a família Sanzone. Eles são proprietário de 2 frequências: 98,5 FM e 92.1 FM, que entregaram de mão beijada ao Grupo Bandeirantes. Ambas as concessções da Família Sanzone são de Mogi das Cruzes. Resumindo o arcabouço do nº 2198/2200: 4 grupos que juntos e alternando entre si, detém 13 emissoras, quase todas “importadas” da Grande São Paulo e 3 rádios fantasmas, que foram griladas por Paulo Masci também: 95.7, 98.1 MHz e 103,7 MHz, que mantém uma rotatividade de nomes, locais e arrendatários que fica difícil relatar todas aqui.

Citando ainda rádios fantasmas, temos o caso emblemático da 96,5 MHz, a maior pirata da capital, um tipo de MDZhB à brasileira. Ninguém sabe ao certo quem são seus reais proprietários; Já passou pela família Quércia, e pelo RR Soares. O deputado-vereador-pastor Carlos Apolinário é dono da rádio em São José dos Campos. Mas ela vive se mudando para a Grande São Paulo e ninguém sabe onde fica seu transmissor e antenas por aqui, nem quem a comanda. Diversas vezes fechada pela Anatel, continua transmitindo em algum lugar da metrópole, misteriosamente, tal qual a companheira russa.

Carlos Apolináriodo DEM: Mikhail, Dimitri, Zenha, Boris. Fonte: Veja.
Número 2198/2200 da Paulista: principal bunker do rádio Paulista. Fonte: SPCity

Os tais grupos de rádio somados à grilagem de frequências, são a face mais asquerosa das ligações entre rádio e política. Mas não são a única. Peguemos emissoras que têm apenas uma concessão de rádio em São Paulo, mas são grandes redes transmitindo para todo o país. É importante ressaltar aqui que tecnicamente, para levar o sinal da rádio baseada em uma praça, para outra, são necessárias outras concessões de rádio fora do espectro comercial (87,5–108) para fazer esse transporte. Essas concessões podem ser via satélite, analógicas ou digitais, há muitos meios, mas que basicamente significam outras outorgas, um buraco mais embaixo e mais encoberto da estrutura das rádios.

Sardenberg: Deixa bem claras suas posições políticas neo-liberais, em rede nacional, sem constrangimento no CBN Brasil. Fonte: CBN.

Peguemos a CBN das organizações Globo. Ela tem 4 ou 5 emissoras próprias que se comunicam entre si constantemente, alternando a praça da cabeça de rede, hora em SP, hora no RJ, algumas vezes em BH. O sinal vai e volta muitas vezes, a rede abre e fecha, tudo isso via outros sinais de rádio, numa estrutura monstruosa. Em quase igual escala, é o mesmo acontece com a Jovem Pan, Transamérica e Antenna1 , que embora com operações menos complexas do que a CBN, também são grandes redes de alcance nacional. Mas para o texto não ficar muito técnico, vamos adiante sem nos aprofundarmos nisso ou no PLL por hora. E já que estamos falando em Jovem Pan…

Tutinha: de Pânico à MBL. Fonte: Jovem Pan.

A Jovem Pan é de um cinismo tão grande que enoja. Claramente reacionária e de direita, a emissora dos Machado de Carvalho escancara com esse seu posicionamento político rastreiro e fanático, outro absurdo: as concessões eternas, renovadas sempre para as mesmas famílias, sem alternância, sem democracia. Assim, com esse poder tão vultuoso e a certeza da leniência, a 100,9 MHz pode acuar quem bem entende, como fez recentemente com Fernando Haddad. Seus “profissionais” alucinados como Carioca e Marco Vila; Sheherazade e Reinaldo Azevedo, deixam bem claro que eles mandam na porra toda, não sofrem nenhuma sanção ou investigação. 
Discorde-se politicamente de quem for, o intuito deste texto não é partidarizar, não é isso que está sendo discutido. A família Machado de Carvalho, bem como os Marinho e os Saad, têm o direito de não gostar desse ou daquele político, podem até tramar uma hecatombe nuclear contra a esquerda caso queiram. O erro está em usar de concessões púbicas para externarem suas opiniões e vendê-las como verdades absolutas — e o pior, como se suas posições político-partidárias fossem a cura para todas as mazelas do país.

É fácil pagar de guru quando se tem milhões na conta e o domínio dos meios de comunicação. e a certeza da invencibilidade, a certeza de que o que fazem não é crime eleitoral ou propagação de discurso de ódio. Pena que não se sustenta. Exemplo disso foi uma das entrevistas na sabatina feita pela CBN, com os candidatos a prefeito da capital paulista. A âncora Fabíola Cidral estava como de costume, vendendo aquelas entrevistas como uma benesse, um altruísmo à sociedade e aos próprios políticos. Ao anunciar a entrevista e ceder a palavra ao “candidato” de aluguel Levy Fidelix, eis o que ele diz a respeito do espaço que a CBN estava abrindo para ele: 
- (A CBN) É uma concessão pública, naturalmente que é uma obrigação (fazerem isso).
Quando um candidato mequetrefe como Levy Fidelix, intolerante e ignorante, em poucos segundos desmonta toda a argumentação construída em cima da noção de prestação de serviço e utilidade pública, é porque algo está muito errado (em tempo, dá pra conferir o vídeo aqui).

Reinaldo Azevedo e sua expressão marcante. Fonte: Outras Palavras.

Essa mesma noção torpe de invencibilidade e poder não se restringe apenas às grandes. Permeia outras rádios menores, como Energia FM. Feudo da família Constantino, ela — como todas — é tão ciente de sua inviolabilidade, que deixa bem frouxa a regulagem da vazão de chorume produzido pelos profissionais da emissora. Um dos programas matutinos da emissora, a cargo de profissionais ditos “gabaritados” como Domingos Rizzo e Sílvio Ribeiro, tem durante toda a manhã, microfones abertos para usá-los sem qualquer responsabilidade. Eles bradam contra ciclovias, contra o fechamento da Paulista (o mesmo faz os “gabaritados” como PH da 89FM) contra gays, lésbicas, transsexuais, faz troça, faz oposição política, faz o que lhes der na telha. Já ouviu o programa Whats Up Energia, apresentado por um tal Dimy Soler? Não ouça, é a face radiofônica da apologia à cultura do estupro em estado bruto, sem disfarces. Está tudo ali, dá medo.

O maior faturamento da pequena emissora, vem do programa Estádio 97, que também aqui, propaga as mesmas sandices do programa da manhã. Já teve até pancadaria entre integrantes do ar. Todos os integrantes são homens e mega escrotos. 
Aliás, observa-se em quase todas as fotos aqui anexadas que o rádio paulista não parece muito adepto à dar espaço maior para a atuação feminina, ao menos nos programas de grande audiência.

Outra característica comum à Energia é o foco no tal “público jovem. Jovem Pan, Transamérica, Mix, 89, Metropolitana, Disney e muitas outras que querem escapar dos rótulos de adultas ou populares, dizem focar nesse grupo, e o que isso quer dizer é que tocam apenas Top 40/Heavy Rotarion. Espere muita Rihanna, Twenty-One Pilots, os já citados Kate Perry, Drake e Ed Sheeran, etc, martelando no ouvido até viciar o cérebro.

Em matéria de variedades, a maioria dos programas de humor dessas rádios ditas jovens, consistem em achincalhar o ouvinte e depois bater o telefone em sua cara (praticamente todas fazem, é um cacoete comum)

Mas não se iluda em achar que isso é o pior que fazem essas rádios em matéria de “programação jovem”.

Domingos, o Gatto. Fonte: Google Imagens

Os sobrenomes das famílias proprietárias dessas rádios, pululam em suas programações. Os homens da família Constantino (incluindo o atual proprietário, José Antonio Constantino) são comunicadores sofríveis, no entanto ganharam programinha na rádio do vovô, chama-se Spirit e é bem ruim. Serve apenas como vitrine do tal festival de propriedade da emissora, o Spirit Of London, que rola — vejam vocês — só em São Paulo. Deu pra ter noção do tamanho da alienação?

Dimy Soler: medo desse cara. Fonte: Spirit.

De igual alienação ao programa Spirit da Energia, são os programas deixados pelos irmãos Sanzone na Metropolitana. Machismo, sexismo, misoginia, transfobia, piadas grosseiras, guias de “baladas top para pegar gatas”, tem de tudo. Não sei bem os nomes hoje em dia, mas no passado um atendia por Metro Night e o outro por Programa da Beby.

Outra programação que contém “QI” (o famoso quem indica) é a Transcontinental. Um dos principais programas da emissora chama-se Esqueci de te esquecer. Passa na hora do almoço, fuja dele para evitar a indigestão. Seu apresentador é Cid Luiz, nome artístico de Cid Luiz Jardim (que também faz alguns offs da emissora), da família dos proprietários A emissora se resguarda de anunciar às claras quem são os proprietários dentro da família. São muitos nomes parecidos e não aparecem seus rostos. 
Um detalhe sobre a direção artística: a rádio sobra no cenário do pagode, é uma potência. Evidência isso batizando um programa de “Gosto não de discute”. Epa, pêra, Whaaat? Como diria a Sra. ministra Cármem Lúcia, cala boca já morreu! Pode discutir sim.
Mas o pior da Transcontinental é o final da tarde, quando entra o onipresente Café com bobagem, uma bobagem como o nome diz e o programa que mais trocou de emissora ao longo dos anos.

Sanzones, Constantinos, Jardins, Tutinhas, Zuritas (sim, os filhos do sujeito Emílio também têm — ou tinham — um programa péssimo na JP) são exemplos clássicos da meritocracia nacional: aqui no caso, a meritocracia de pertencerem às famílias que ficaram ricas “grilando” as frequências de rádio paulistas nos últimos 30 ou 40 anos, um disparate só comparado à farra das rádios das igrejas evangélicas daqui.

Jayr Sanzone. Fonte: Twitter.
Beby: além da voz esganiçada, tem cara de bonzinho, mas é escrotão no ar. Fonte: Google Imagens

Elas se espalham por uma série de frequências como 88.1, 90.1, 92.5, 96.5, 97.3, 98.1, 99.3 e inúmeras outras, escancaram de vez o escárnio que vivemos. Todas as frequências citadas tem algo em comum: são griladas.
Como já citei anteriormente esse termo, convém explicar o que ele significa.

O termo grilagem no rádio, funciona mais ou menos da mesma forma que a grilagem de terras. A pessoa com poder político ou econômico passeia pelo dial e detecta que há uma frequência “disponível”. A partir daí, começa a buscar em alguma cidade menor, mas próxima ao centro que realmente interessa — São Paulo, uma forma de ocupar essa frequência na própria cidade. Uma vez estabelecida a rádio, começa a transmitir. Nesse instante, já ocupando a frequência, começa uma batalha jurídica para “lavar a rádio” tomada à força. A judicialização somada aos contatos políticos, intimida a utilização da frequência nas cidades vizinhas e, garante acima de tudo, que a rádio não será fechada enquanto a Casa Civil ou a Presidência da República, não dá a outorga. 
Importante frisar aqui, que mesmo que haja uma licitação por trás, auditada e idônea, para operar uma frequência na cidade X (algo que eu nunca vi acontecer), quem dá a outorga no caso de concessões de radiodifusão é sempre a Casa Civil ou o executivo, a Presidência da República. Uma canetada de um agente dessas duas casas, decide o futuro da frequência. Aí os contatos políticos e poder econômico se tornam indispensáveis. É algo que, além dos grandes grupos de mídia, poucas pessoas conseguem ter e, portanto, essas pessoas saem na frente de toda a população. Paulo Masci de Abreu e os grupos evangélicos são os principais griladores de rádios em São Paulo. Não obstante, Masci, o Abreuzão, é ligado a grupos espíritas, uma de suas frequências, a que leva o nome de seu grupo — Mundial — prega o espiritismo 24 horas por dia. Não dá ainda para dissociar os dois, muitas da frequências que Masci grila, concede para grupos evangélicos. 
Em comum, as rádios griladas Masci-Evangélicas, têm alguma(s) da(s) seguintes característica(s): são concessões mais recentes; é difícil saber quem é o verdadeiro concessionário; mudam de mãos constantemente; ocupavam frequências anteriormente utilizadas por rádios comunitárias ou livres (que são vistas pelo governo como piratas), a maioria está outorgada para municípios vizinhos à Grande São Paulo, transferem sorrateiramente sua sede para São Paulo, geralmente ocupando o 2198/2200 da Av. Paulista de forma obscura.

Aqui a discussão não é religiosa, as pessoas podem ter a religião que bem entenderem, podem até não ter nenhuma. E é disso que se trata: quem não tem religião, quem é adepto das religiões de matriz africana e até mesmo católicos, também são — em tese — donos das frequências nas quais essas rádios passam 24 horas por dia pregando e pedindo dinheiro, como faz a tal Feliz FM. 
O pastor Juanribe, diz numa vinheta que os fiéis tem que doar dinheiro pois a rádio não se mantém sozinha, ele diz em tom lamurioso: “Os custos de transmissão são enormes e só fazem aumentar”. Para que arrendou a porra da frequência então? Ar-ren-dou. Sabe o que quer dizer isso? Que eles não foram os reais outorgados para usar aquela concessão que também é nossa. É o poder do dinheiro livre de impostos. Bancar um processo de doutrinação não sai barato e a Feliz FM, de propriedade da igreja Paz e Vida, quer dividir a conta dessa doutrinação com os próprios fiéis. Que louco…

Juanribe: o “pidão” autor da pérola: “Os custos de transmissão são enormes e só fazem aumentar” Fonte: Pregadores do telhado.

A leniência das autoridades criam um caos onde há frequências tão griladas, que não dá para saber sequer quem é o verdadeiro dono. A Feliz FM opera em 92.5, frequência que já abrigou a saudosa Mit FM, extinta rádio dos grupos Bandeirantes, Mitsubishi e do Nizan Guanaes (que foi ainda criador do slogan da CBN e estava envolvido também com a Oi FM).

Anderson Luis, o outro “pidão” das tardes da Feliz FM. Fonte: Feliz FM.

A Bradesco Esportes opera em 94.1, que já abrigou outra saudosa, a Oi FM, que apesar de uma programação musical incomum, boa, coesa e sem jabá, amargava índices horríveis de audiência. O caso da 94.1 MHz é complicado. Ninguém sabe ao certo se ela pertence ao Abreuzão ou aos Saad. Mas aqui também há uma podridão tão grande envolvendo o Grupo Mundial e Bandeirantes que fede até de longe. 
Entre os 4 grupos amontoados no nº 2198/2200, ninguém sabe mesmo o quanto um é laranja do outro nas concessões. 
Mas sabemos ao certo que o Abreuzão também é dono do Hotel St Peter em Brasília. Novamente, para não partidarizar essa questão, não me estenderei no caso desse hotel, mas dá uma pesquisada aí.
Certo mesmo é que juntos, Abreuzão, Camargão e o Saadão têm quase a totalidade das rádios paulistanas sob seu controle. Enoja né? Mas calma que ainda tem coisa.

José Camargo: desde a Ditadura por aí.

Voltando ao tema das demais rádios fora do controle desses 3 grupos, nunca é demais salientar que a Transamérica é do famoso banqueiro e mega empresário Aloysio de Faria. 
Nova Brasil é da família Quércia e, o principal anunciante da Antenna 1 é uma tal de Água Rocha Branca. O dono da Antenna 1 se chama Orlando Negrão, que também é dono da Rocha Branca. Orlando é discreto, não gosta de exposição. Aparentemente o que Orlandão gosta mesmo é de concessão na Grande São Paulo, seja de rádio, seja de exploração de águas…

Rocha Branca ou chapa-branca? Fonte: Rocha Branca

Concessão na Grande São Paulo não parece ser o problema para os donos de rádio daqui, aliás, dá para contar nos dedos das mãos as rádios que transmitem na Paulista e que poderiam legalmente estar ubicadas ali. Aqui cria-se uma jabuticaba, tipicamente o jeitinho brasileiro. Outorgas de rádio deveriam ser equânimes na divisão pelos municípios da nação. Mas, acontece que São Paulo é o maior mercado, São Paulo tem milhões de carros presos no trânsito. Radialista, depois dos setores automotivo e petrolífero, é a classe que mais lucra com a desgraça do trânsito. Os horários nobres do rádio são aqueles em que o povo está se fodendo para ir ou voltar do trabalho. Por isso, há briga de foice para ver quem entra aqui. A Kiss KM tem concessão em Arujá. A Energia FM é de Santo André, a 89FM e a Alpha, ambas de Osasco, a Metropolitana e Rádio Trânsito, vejam vocês, de Mogi das Cruzes, há quase 70 KM da Av. Paulista, mas transmite daqui. Uma rádio de Mogi que só fala do trânsito de São Paulo. Legal né? A Aleluia FM, 99.3, pertence ao Edir Macedo e é de São Bernardo. A Nativa e a Mix são de Diadema. A Top FM de Guarulhos. A Tropical FM de Itapecerica das Serra. A Vida FM de São José dos Campos. A Dumont e Mundial, de Jundiaí. 
 A 102,9 FM, é de Cubatão. Abreuzão ainda não conseguiu mudar essa para a Paulista, mas está tentando fortemente ir para o nº 2200, alguém duvida que ele irá conseguir? Ah vai, não sabemos como, mas vai. 
Assim como conseguiu recentemente o Grupo CCR, operar teoricamente a partir de Santa Isabel, em 107.5 MHz uma rádio que pega de São Paulo ao Rio de Janeiro, a CCR/Nova Dutra. WTF? São 400 km de raio de cobertura. Uma rádio FM interestadual.

Interestadual também pode ser considerada a Transcontinental, que transmite direto de Mogi das Cruzes. Isso quer dizer, que dada sua triangulação, ela cobre todo o Vale do Paraíba, Sul de Minas Gerais e Grande São Paulo incluindo a capital. Não precisou nem formar rede para se tornar interestadual. Outra que está na mesma situação é a Dumont FM — 104.3, que conseguiu a peripécia de conurbar São Paulo Jundiaí e Campinas: transmite simultaneamente nas três regiões metropolitanas.

CCR: Rádio interestadual. Fonte: CCR

Uma simples zapeada pelas rádios em época de eleições municipais, evidenciam essa patifaria: aqui em São Paulo conseguimos escutar os programas eleitorais de todas as cidades do entorno, quase nunca o daqui, logo na sequência quando acabam esses programas obrigatórios, na hora de dar o endereço, fala-se Av. Paulista. Como conseguem ter essa cara de pau?

Por aqui tambpem. Fonte: Disney.

Em matéria de conseguir as coisas, cêis tão ligados que é proíbido pela lei brasileira, uma empresa estrangeira atingir 30% de participação de capital numa rádio né? E nós temos isso em São Paulo? Temos sim, a Rádio Disney. Conseguimos essa proeza através de FHC, que deu o 91,3 MHz para seu filhão, Paulo Henrique Cardoso, que desde que ganhou o presente, vem sendo testa de ferro do grupo americano, já foi até denunciado e investigado por tal prática, mas que óbvio, não deu em nada. Como também nunca dá em nada as denúncias para investigar essa mudança do local de transmissão para a Paulista. Também nunca dá em nada as ações contra as rádios que não transmitem a caquética Voz do Brasil. A Voz do Brasil é horrorosa, chapa-branca, sem nada interessante. Propaganda política disfarçada de jornalismo. No entanto, está na Lei que deve ser transmitida. O que as rádios fazem? Simplesmente não transmitem e fica por isso mesmo. Rádios grandes como a CBN, Jovem Pan e Gazeta — 88.1 (esta última atribuída a uma fundação, a Cásper Líbero, que pela lei não deveria auferir lucro, mas a rádio, junto com outras populares, como Transcontinental e Top, é uma das mais ouvidas da capital), com concessão efetiva na cidade de São Paulo, voltaram a transmití-la, mas isso deve acabar em breve, a judicialização em prol dos proprietários, bem como o lobby político é muito forte nesse setor. 
O problema é que ruim com a Voz do Brasil, pior sem ela. Esse palanque radiofônico presta um desserviço tão grande à população que ultrapassa seu conteúdo insignificante, afago de político vagaba que só quer aparecer. O espaço ocupado por ela gera prejuízo às emissoras, que durante uma hora, todos os dias úteis, em pleno rush, perdem receitas e ouvintes. A conta tem que fechar em algum ponto.
Por outro lado, elas sabem dessa obrigatoriedade, é lei e como diz o ditado, não há almoço grátis nem para a Voz do Brasil, alguém tem que pagar a conta.

Vamos nos debruçar nesse conceito de que não há almoço grátis para todo o dial. De fato, ligar o rádio sem fazer mais nada, é muito simples, tu liga e o som tá lá saindo de imediato, consumindo apenas a pouca energia do aparelho. Bem, isso — na prática— é uma ilusão. A energia mesmo é um ponto nevrálgico. Emissoras consomem energia de forma monstruosa. Os transmissores variam de 40kw a 110kw de potência, o que num raciocínio bem básico, indica que eles consomem isso, esses kw, 24 horas por dia. O transmissor em si, já é caríssimo, podem atingir alguns milhares de reais. São verdadeiros catataus, armários maiores que câmaras frigoríficas, ocupam andares inteiros algumas vezes — fora seus geradores e antenas — na região da Paulista, imagina o aluguel. Recentemente estave a venda na região da Santa Ifigênia, o antigo transmissor reserva da Brasil 2000 FM, geralmente transmissores reservas são bem menores e, ainda assim, era tão grande que só de caminhão e munck para conseguir transportar. Falei aqui dos custos envolvidos na transmissão. Há ainda aluguel, energia e os demais custos fixos dos equipamentos e profissionais da produção do que será transmitido, o lucro do proprietário e/ou arrendatário. Quem paga esses custos? Bom, hehehe, nós óbvio.

Antes de continuar, vale fazer uma observação sobre o mencionado transmissor a venda da Brasil 2000 na Santa Ifigênia e Mercado Livre. Parece algo nada a ver né? Mas não é, esse transmissor só ficou livre por que a Rádio Eldorado, pertencente ao Grupo OESP e Anhembi Morumbi, junto com a Fundação Brasil 2000, fizeram uma tramóia tão grande que conseguiram mudar a Eldorado para o 107.3 MHz, liberando o 92.9 para a Rádio Estadão e se tornando a Eldorado Brasil 3000. E a Fundação Brasil 2000? O que ela oferecia à população enquanto fundação? Menos ou mais que a Cásper Líbero? Difícil dizer. Mas o que é público e notório é que Anhembi Morumbi = Laureate. Não podemos nos furtar de incluir aqui a questão da Transamérica. A rádio pertence ao mega conglomerado Grupo Alfa, que pertence ao ABN AMRO Bank e Aloysio de Faria. Aqui também, o principal faturamento da emissora é um programa de esportes, o Papo de Craque, que tem entre seus anunciantes diversas empresas do ramo de construção civil, o que chama a atenção já que ela faz parte desse conglomerado que inclui construtoras e a C&C, Casa & Construção. Tal qual a Antenna1, aqui também temos uma empresa de exploração de águas envolvida, a Prata. Se isso não denota uma atuação maciça de pessoas especializadas em concessões públicas, sejam quais forem, não sei mais o que denotará.

Transmissor da Brasil 2000 a venda em SP: Só de munck. Fonte: Mercado Livre.

Em suma, já temos até aqui:

  • Ao menos 3 grupos internacionais atuando no rádio paulista: Laureate, ABN AMRO Bank e Disney.
  • Ao menos 12 emissoras estão nas mãos de 4 grupos que não se sabe onde começa um e termina o outro, que ocupam o mesmo prédio na Paulista.
  • Ao menos 4 rádios que encabeçam redes de alcance nacional, usando outras concessões para isso: CBN, Jovem Pan, Transamérica e Transcontinental.
  • Rádio piratas, griladas e que se ubicam sorrateiramente na paulista: ao menos 6 casos, quasse todos com Paulo Masci envolvido.

Mas é só isso que o rádio tem a oferecer para nós? Interesses políticos, falcatruas, maracutaias, crimes, contravenções, discursos de ódio, discriminação, desigualdade…É só isso? Sim, e só isso! Utilidade pública? Sei lá, se tu acha que ficar planando sobre a cidade em cima de um helicóptero narrando o trânsito tal qual um jogo de futebol seja prestação de serviço, talvez esse veículo tenha boa utilidade. Mas no restante do tempo, não se iluda, tu tá sendo mais manipulado ainda do que na televisão e mídia impressa. Seja sucumbindo aos meandros mais nojentos do poder, seja com diretores artísticos corruptos, em conluio com gravadoras, que ditam o que tu deve ou não ouvir. Não espanta que todo mundo que tem condições, está migrando para o Youtube e Spotify.

Mas não nos esqueçamos: rádio ainda é muito forte e nós somos o produto. As rádios usam esse argumento da audiência para conseguirem contratos publicitários com empresas privadas ou o governo, fora o jabá, em que as gravadoras pagam para a rádio transmitir as músicas dos seus artistas. Como diz o pastor da vinheta da Feliz FM já mencionado, “os custos de transmissão são enormes e só fazem aumentar”. Alguém tem que pagar a conta. Tudo isso, somado à conduta imoral para se conseguir as tais licitações, engessam tanto, criam uma relação de dependência entre a classe política e os outorgados que torna todo o processo em si, bastante danoso. Tente acompanhar o processo de licitação, não dá, é impossível para nós mortais. Não sai em lugar algum avisos do tipo: “abertura de licitação para rádios na Gde São Paulo, o edital está aqui”. Creio que em outras cidades deva ocorrer o mesmo. Soma-se aos custos já mencionados, mais esse: o custo jurídico, dedicado ao lobby e interesses das rádios junto ao poder público no que concerne à concessões e renovações.

Esse cenário nos deixa reféns de rádios chapa-branca, que devem favores aos montes, de políticos (ou padrinhos políticos) que têm nas outorgas um poder enorme de barganha junto aos outorgados, do mercado publicitário que está apenas a serviço do capital, das gravadoras que divulgam seus artistas da mesma maneira desde o os anos 50, no jabazão e por aí vai. Não é a toa que “os especialistas” vivem pregando o fim do rádio, aos olhos mais críticos é insustentável essa situação. Mas esse fim nunca vem, o lobby inclusive para o Brasil não avançar nada nas discussões sobre o tema rádio digital, como fez a TV, ainda segue. Puxando o gancho sobre a TV para também falar do AM, cabe aqui a explicação: TV também é uma rádio, os canais de TV são frequência FM, em MHz, na mesma faixa de espectro das FMs, só que um pouco anterior ao 87.5 MHz, onde começa a faixa comercial atual. Com a migração para a TV digital, essa faixa anterior — 76.1 MHz até 87.5 MHz ficará livre e, os proprietários de AM querem ocupar essa faixa para se tornarem FM. Já há decreto, o governo já sinalizou que OK. Simples assim, sem licitação, sem concorrência, no tapetão. Lembrando que muitos dos grupos que são donos das FMs, dominam também o AM.

Já que citamos o 87.5 MHz, onde começa a faixa comercial atual, sabe porque não temos rádios nessa frequência específica? Por que essa faixa em tese, é destinada às rádios comunitárias, de baixa potência, nos bairros. Já viram as exigências para operar uma rádio comunitária? São piores que de rádios comerciais, praticamente impossível conseguir. Vale a pena consultar o site do Ministério das Comunicações.

Kassab das Comunicações. Fonte: Google Imagens.
João Rezende da Anatel: deixa ele descobrir sua rádio livre e vc verá sua ira. Fonte: Gazeta do Povo.

O que nós podemos fazer?

Bom, compartilhar bastante este texto é uma primeira sugestão. A importância dele é que trás uma coletânea nua e cruel de alguns dos maiores casos de ilegalidades e crimes de colarinho branco envolvendo concessões públicas e meios de comunicação no Brasil. Os maioria dos dados cruzados aqui são púbicos, estão disponíveis amplamente. Outros, são fruto de pesquisas independentes e foi construído ao longo de muitos anos de estudo. O objetivo não é expor políticos e radialistas, mas despertar uma comoção pública em torno dessas questões.

Fazer uma grande pressão assinando a petição abaixo é essêncial:

https://www.change.org/p/anatel-por-favor-regulamentem-fiscalizem-punam-e-democratizem-as-r%C3%A1dio-em-s%C3%A3o-paulo

Por fim, nos comprometemos a fazer uma segunda versão deste texto com dados fornecidos por vocês, bem como dar oportunidade aos citados para se defenderem. Entrem em contato através do email: zlesquecida@gmail.com.

Saad com Dória: Vai vendo. Fonte: Band.

Pela atenção, agradecemos. ;)