Sem sentido

Quando eu tinha uns 14, 15 anos, eu costumava seguir uma série de blogs de meninas que falavam sobre roupas, maquiagens e etc. O domínio mais comum desse tipo de conteúdo era um site vinculado ao uol, diferente dos muitos vloggers que existem hoje no youtube. Secretamente eu costumava escrever sobre tudo que me vinha a cabeça. Tentei, durante uns quatro anos colocar a público mas isso nunca aconteceu. Talvez por insegurança, por imaturidade, mas com toda certeza, por medo do que se tornaria aquele registro.

2017 veio para me questionar isso e na verdade, quem começou isso foi um rapaz que tratou de me chamar de:

— C O V A R D E.

Eu estava ali, pronta para despejar meus lamentos e culpas diante de um relacionamento que não deu certo até o momento que ele resolveu falar. Aquilo doeu. Acho que só quem é covarde sabe o quanto essa verdade dói e eu quis dar de ombros mas depois disso continuei fingindo não escutar.

2017, veio para isso. Veio para isso não para me jogar as desculpas, os erros, as minhas culpas em continuar no mesmo lugar mas sim, para me lembrar que cabe a mim, fazer diferente. Lembrei então, de uma frase que um amigo meu me disse: “ — Cabe à você fazer de uma decisão a melhor do mundo.” Ei! Espera! Eu não posso culpar o universo? As escolhas dos outros? O destino? Ou qualquer coisa que seja? Bem, a verdade, é que é muito mais fácil se tornar coadjuvante, ficar na mesmice, dar de ombros em um relacionamento que você sabe que não esta te fazendo bem, assim como todas as coisas que te pedem para sair do status quo e você, covardemente, continua. É que fugir da rota, às vezes, dá medo e olha, em matéria de covardia, vou ser sincera, tenho dado show.

O que dá medo, é preencher o espaço em branco, conhecer nossa essência e muita das vezes, ter que mostrá-la aos outros. É que se torna difícil demonstrar nossas próprias preocupações, fragilidades em um mundo tão instantâneo e nessa complicação, acabamos esquecendo nós mesmos. Para o rapaz que me chamou de covarde, meu muito obrigada. Você pode continuar dizendo que não é inspirador a todo momento, as coisas podem ter dado muito errado mas no fim, é a sua frase que esta ecoando enquanto eu redijo esse texto.

Covardia seria continuarmos imutáveis.

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