TÉDIO E CURIOSIDADE
Uns baderneiros cavalgam em busca de aventuras e no meio do trajeto são informados de um suicídio no hotel da região. Decidem ver o suicida porque “tudo já está tão dominado pelo tédio…”. Começam a observar o morto com uma “curiosidade ávida”, como se não estivessem diante de uma tragédia. Daí que Dostoiévski conclui, nas entrelinhas, que as vidas são entediantes porque são uns curiosos sem propósito. Observam tudo como se estivessem diante de alguém sem história, e talvez seja este o desejo mais íntimo daqueles demônios — por isso o título do livro. Fiquei imaginando que o tédio e a curiosidade devem ser algum tipo de ofensa a Deus, talvez, pois matam a sensibilidade humana e castram a compaixão. O tédio é a antítese de uma vida preenchida com o mistério do monte Tabor: a alegria; enquanto a curiosidade é o oposto da atenção e interesses genuínos, esses, sim, motivados pelo Espírito e verdadeiros dons que temos que rogar diariamente aos Céus, já que estamos num mundo recheado de dispersões.
