Quando parei de escrever

Mais um romance termina e o fim traz consigo uma enxurrada de textos sobre tudo o que não deu certo, sobre todo o sofrimento e todas as lágrimas. Comigo não foi diferente.

Escrevi até faltar-me palavras mas nunca era o suficiente para descrever a minha dor, e cheguei ao ponto de só conseguir escrever sobre o ex-nós. Tentei falar de qualquer outra coisa, mas sempre soava triste, depressivo demais para ser escrito. Realmente comecei a crer que só servia para escrever sobre o cinza, o escuro, o amargo, e o vazio.

Como disse, “era depressivo demais para ser escrito”. E eu não queria. Como poderia tentar falar sobre a luz daquele raio de sol batendo na minha janela no finalzinho da tarde se eu o transformaria em chuva? Ele não merecia. Desacreditei em mim. Não consegui mais escrever.

Entretanto, percebi que a chuva só cessaria se eu a encarasse e me molhasse. E eu a encarei, e gripei. Logo foi passando e o meu solzinho voltando a brilhar. Não brilhava da mesma forma, mas mais intenso apresentando seus altos e baixos e, por fim, me reensinando a escrever.

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