(a)nexo

Andando calmamente pelo seu caminho de sempre, ele observou os homens de metal banhados em ouro celestial. Enxergou os recipientes alados. Conseguiu visualizar onde o esforço dos campeões terminava: empoeirados numa parede revestida em vidro, para que não quebrasse a frágil raça dos vitoriosos.

Ele riu e agradeceu por ter superado aquilo. Virou-se e continuou a seguir pelo seu caminho, atento aos sons e gestos dos seus semelhantes. Diálogos dos mais diversos tipos emanavam por onde ele passava.

Ao sair do corredor, ele pensou no esforço das pessoas. Fitando rostos e expressões, teorizou o que o dono daquela face pensava e fazia.

Chegando em seu destino, tirou o peso do conhecimento de suas costas e foi ao banheiro. A natureza o chamava.

Quando saiu da cabine, observou a si mesmo e pensou no que se esforçava para pensar. Obteve a resposta rapidamente: se esforçava ali mesmo. O conhecimento tem seu preço.

Emaranhado em si mesmo, começou a desenvolver as nuances de sua vida e essência. Apesar de sorrir para todos, o cerne que o habitava não o agradava.

Um estalo, uma epifania. E todo o sistema capitalista ruiu. Pensou na controvérsia de se obter conhecimento, mas não ser um indivíduo melhor. Olhou diretamente para seus olhos e enxergou a verdade sair em gotículas transparentes, enquanto suas mentiras quebravam as bases do seu ser.

Atormentado, saiu do local e sentou num banco qualquer. Questionou toda a instituição e suas promessas em busca de respostas concisas, mas não viu sentido. Não viu sentido em mais nada em tudo que o circundava.

Com a visão turva e a mente transtornada, levantou-se ao escutar o sinal. O sinal da aula. Arrastou-se em direção a sua sala. Ele tinha que conhecer mais. Ele precisava conhecer mais os assuntos sem nexo, pois os anexados a sua mente se transformaram em rachaduras pelo ambiente externo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.